O Serviço Meteorológico Nacional norte-americano alertou esta sexta-feira para a chegada de uma "grande tempestade de inverno", que ameaça provocar interrupções significativas nos transportes, com milhares de voos já cancelados, e na rede elétrica em grande parte dos Estados Unidos.
A tempestade deverá atingir a região central das Grandes Planícies a partir da noite de hoje (madrugada de sábado em Lisboa), antes de se deslocar em direção às principais cidades da Costa Leste, incluindo Nova Iorque e Washington, até segunda-feira, prevendo-se que produza quantidades consideráveis de neve, chuva congelada e granizo.
É provável que a tempestade cause "condições perigosas para conduzir, cortes de energia e danos nas árvores", previu o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) no seu mais recente boletim.
"Os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos", afirmou o meteorologista Ryan Maue no X.
No Texas, muitos recordam a tempestade de inverno de 2021, quando um apagão generalizado no estado deixou milhões de casas sem eletricidade durante vários dias e matou mais de 200 pessoas.
As autoridades locais procuraram tranquilizar os moradores com a aproximação da nova tempestade.
O governador Greg Abbott declarou na quinta-feira que a rede elétrica do estado "nunca esteve tão robusta, nunca esteve tão preparada e é totalmente capaz de suportar esta tempestade de inverno", não sendo esperado qualquer apagão com origem na própria rede.
Cerca de 140 milhões de pessoas estão sob alertas ou avisos de tempestade de inverno ou frio, e em muitos lugares com ambos.
Quase 2.400 voos programados para sábado já foram cancelados em todo o país, incluindo mais de 1.300 com origem ou destino em Dallas, no Texas, de acordo com o site especializado FlightAware.
Na plataforma Truth Social, o Presidente Donald Trump aproveitou o mau tempo para expressar mais uma vez o seu ceticismo sobre as alterações climáticas.
"Uma vaga de frio recorde está prestes a atingir 40 estados. Raramente vi algo assim antes. Será que os ambientalistas radicais podem explicar-me: O QUE ACONTECEU COM AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS?", escreveu o Presidente.
Os investigadores observam que o número destas tempestades tem vindo a aumentar nos últimos 20 anos, o que pode dever-se ao facto de o Ártico estar a aquecer mais rapidamente do que a média global, contribuindo para facilitar o transbordamento do vórtice polar sobre a América do Norte.
Os especialistas, no entanto, alertam contra conclusões precipitadas que liguem diretamente este fenómeno às alterações climáticas provocadas pelo homem.
"Simplesmente porque acho que não temos dados suficientes" para estabelecer a relação, afirmou Jason Furtado, meteorologista da Universidade de Oklahoma.