Opinião

Votar para proteger a democracia

Na eleição do próximo dia 8, importa votar e importa, também, não votar em Ventura. O candidato do Chega faz mal à democracia. O modo agressivo e emocionalmente descontrolado como que se exprime, as propostas desumanas que apresenta, os valores racistas e xenófobos que promove, a forma cruel como se refere aos outros, a desinformação e a mentira que usa sistemática e repetidamente não são aceitáveis em democracia.
O candidato do Chega diz-se contra o sistema, mas é um dos seus beneficiários. Se entendermos sistema como o modo de organização política e social em que vivemos, beneficiou do sistema público de educação e de ciência e beneficia dos sistemas de saúde e de proteção social. Mais, sendo um produto do 25 de Abril, usa e abusa da liberdade e da democracia que então conquistámos para promover o fim das liberdades.
O candidato do Chega quer rever a Constituição e voltar ao passado. Ao passado salazarista, tornando o regime mais autoritário, repondo a censura, o corporativismo, a manipulação da justiça, o fechamento político e o enfraquecimento das instituições. Voltar ainda mais atrás, a tempos anteriores ao direito penal moderno, e reinstaurar as penas de morte e de banimento.
O candidato do Chega tem um fascínio por Trump, mesmo que agora, em campanha, o queira esconder. O primeiro ano do novo mandato de Trump, do ídolo do candidato do Chega, não deixa dúvidas quanto ao efeito devastador e desestabilizador da sua ação política. Seguir os passos de Trump em Portugal seria replicar o desastre de que todos os dias nos chegam notícias dos EUA.
O candidato do Chega apresenta-se como representante do povo, fala ora em nome dos portugueses ora em nome da Direita política. Porém, já declarou que não quer ser o presidente de todos os portugueses, mas representar apenas, sectariamente, os eleitores que nele votarem.
Para os que ainda têm dúvidas, vale a pena ter presente o que foi a atitude do candidato do Chega perante o desastre natural que assolou o país. Num momento em que se exigia empatia, solidariedade e compaixão com cidadãos, empresas e instituições da Região Centro, aproveitou a tragédia de outros para se promover e fazer campanha eleitoral.
A abstenção ou o voto nulo ou branco não são alternativas responsáveis, porque se traduzirão num apoio indireto e silencioso às causas do candidato do Chega. Quanto mais não seja pelas razões aqui apresentadas, votar em António José Seguro é a única forma de proteger a democracia.

Maria de Lurdes Rodrigues