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Maioria dos norte-americanos desaprova estratégia de Trump para a Gronelândia

Cerca de metade dos eleitores do Partido Republicano desaprova a tentativa de transformar a Gronelândia em território norte-americano Foto: Florent Vergnes / AFP

Sete em cada 10 norte-americanos desaprovam a forma como o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, tem conduzido a tentativa de assumir o controlo da Gronelândia, segundo uma sondagem hoje divulgada.

De acordo com um inquérito do Centro de Investigação de Assuntos Públicos da Associated Press (AP)-NORC, realizado entre 05 e 08 de fevereiro, 70% dos adultos nos EUA desaprovam a estratégia de Trump para o território autónomo da Dinamarca, membro da NATO, enquanto apenas 24% manifestam apoio.

A percentagem de desaprovação é superior à registada em relação à política externa em geral, sugerindo que a questão da Gronelândia se tornou um ponto particularmente sensível para o Governo norte-americano.

Nem entre os conservadores o consenso é evidente: cerca de metade dos eleitores do Partido Republicano desaprova a tentativa de transformar a ilha ártica em território norte-americano, enquanto a outra metade apoia a iniciativa.

Os níveis de apoio entre republicanos são inferiores aos registados noutras áreas-chave da governação.

Cerca de oito em cada 10 republicanos aprovam a atuação de Trump na economia e na imigração, e sete em cada 10 apoiam a sua abordagem geral à política externa, mas a Gronelândia surge como a questão com avaliações mais baixas dentro do partido.

Entre os republicanos com menos de 45 anos, a oposição é ainda mais expressiva: seis em cada 10 dizem desaprovar a liderança de Trump na questão da Gronelândia, face a cerca de quatro em cada dez entre os eleitores republicanos mais velhos.

Trump tem defendido que os Estados Unidos necessitam da Gronelândia por razões estratégicas, invocando a necessidade de conter as ameaças da Rússia e da China na região do Ártico, apesar de Washington já manter presença militar no território.

No final de janeiro, o presidente norte-americano abandonou as ameaças de recorrer à força para assumir o controlo do território, após anunciar que tinham sido alcançados os termos para um acordo sobre o acesso à ilha com a ajuda do secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Outras sondagens recentes apontam no mesmo sentido, como foi o caso de um inquérito do Pew Research Center, realizado em janeiro, que indicava que os republicanos estavam amplamente divididos sobre a eventual tomada de controlo da Gronelândia, enquanto a maioria dos norte-americanos se mostrava contrária.

Apesar da controvérsia, a avaliação global da política externa de Trump mantém-se estável: cerca de quatro em cada 10 adultos norte-americanos aprovam a sua condução dos assuntos internacionais, um valor que se tem mantido inalterado nos últimos meses.

JN/Agências