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Militantes de extrema-direita condenados em Itália por tentarem recriar Partido Fascista

Os 12 arguidos foram condenados a 18 meses de prisão Foto: Arquivo

Doze membros da formação de extrema-direita italiana CasaPound foram condenados ao abrigo de uma lei que proíbe a recriação do Partido Fascista, informou esta sexta-feira a imprensa italiana.

Esta é a primeira vez que a chamada lei "Scelba", que proíbe a "reorganização do Partido Fascista dissolvido", é aplicada a um grupo neofascista, escreve o diário "La Repubblica". O Partido Fascista governou Itália de 1922 a 1943 sob a ditadura de Mussolini.

O caso remonta a 2018, quando estes ativistas do CasaPound agrediram pessoas que participavam numa manifestação contra Matteo Salvini, então ministro do Interior e líder do partido anti-imigração Liga (atualmente no Governo de Giorgia Meloni).

Os 12 arguidos foram considerados culpados na quarta-feira por um tribunal em Bari (sul) de violar a lei "Scelba", pelo que foram condenados a 18 meses de prisão.

Sete deles também foram condenados a mais um ano por violência.

"Agora que há uma decisão que estabelece isto, o Governo não tem outra escolha senão fazer aquilo que lhe temos pedido há muito tempo: dissolver o CasaPound, dissolver as organizações neofascistas conforme previsto na Constituição", disse Elly Schlein, líder do partido de oposição de centro-esquerda Partido Democrático (PD).

O grupo de extrema-direita deve o seu nome a Ezra Pound, o poeta modernista norte-americano que colaborou com a Itália fascista durante a Segunda Guerra Mundial.

O partido realiza regularmente campanhas contra migrantes, especialmente a partir da sua sede num edifício ocupado no centro de Roma.

O CasaPound obteve menos de 0,14% dos votos nas eleições legislativas de 2013 e 0,95% nas eleições legislativas de 2018, e desde então não voltou a concorrer às eleições.

Membros do CasaPound já foram filmados a fazer a saudação fascista em Roma, uma medida que o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, condenou em 2024 como "contrária à cultura democrática".

No entanto, afirmou na altura que era complicado proibir tais grupos, afirmando que a lei só o permitia em circunstâncias muito limitadas.

O Irmãos de Itália, partido nacionalista e populista da primeira-ministra Giorgia Meloni, tem as suas raízes no MSI, um partido fundado por apoiantes de Mussolini após a Segunda Guerra Mundial, mas renunciou a quaisquer ligações ao fascismo e reconheceu a cumplicidade da Itália fascista no Holocausto.

JN/Agências