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Ex-presidente da Coreia do Sul condenado a perpétua

Yoon Suk-yeol, ex-líder conservador Foto: Kim Hong-Ji / EPA

Tribunal considera Yoon Suk Yeol culpado por insurreição devido ao uso da lei marcial, em dezembro de 2024, para tentar "bloquear e paralisar" a Oposição no Parlamento.

A imposição da lei marcial pelo então presidente sul-coreano, em dezembro de 2024, resultou hoje numa condenação por insurreição de Yoon Suk Yeol, que fora deposto em abril de 2025 e agora enfrentará uma pena de prisão perpétua. O Tribunal Distrital Central de Seul considerou que o conservador tentou "bloquear e paralisar" as atividades dos críticos na Assembleia Nacional com a manobra jurídica, que foi revertida seis horas depois.

"A declaração da lei marcial resultou em enormes custos sociais, e é difícil encontrar qualquer indício de que o arguido tenha expressado remorso por isso", argumentou o juiz-presidente Ji Gwi-yeon. A expectativa é que Yoon, que escapou à pena de morte pedida pelo procurador especial, recorra nos próximos dias, tendo a defesa classificado a sentença como "uma formalidade destinada a uma conclusão pré-determinada".

Segundo o magistrado, o então chefe de Estado "ficou obcecado" com a ideia de que a Oposição "poderia neutralizar o presidente de forma eficaz", uma vez que o seu partido, o Poder Popular, não conseguia aprovar medidas orçamentais ou impedir a destituição de membros do Executivo. Yoon, que na época justificou a lei marcial alegando combater ameaças da Coreia do Norte e forças "antiestatais", já fora condenado, em janeiro, pelo mesmo tribunal, a cinco anos de prisão por tentar obstruir as investigações.

Este contou com o apoio de altos funcionários militares para cercar o edifício da Assembleia Nacional e prender críticos. O antigo ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, foi condenado a 30 anos de prisão, enquanto o ex-chefe da Polícia Nacional Cho Ji-ho recebeu uma pena de 12 anos. O responsável pela Polícia Metropolitana de Seul, Kim Bong-sik, ficará preso por dez anos.

Gabriel Hansen