Justiça

Julgados por assaltos à mão armada a seis bancos. Roubaram 548 mil euros

Arguidos foram detidos na posse de 61.355 euros Foto: Arquivo

Dois homens acusados de seis roubos violentos em instituições bancárias, com recurso a arma de fogo e sequestro de funcionários e clientes, ocorridos entre julho de 2023 e abril de 2025 e que lhes renderam 548 mil euros, começam esta quarta-feira a ser julgados pelo Tribunal de Évora.

Os assaltos ocorreram em Vendas Novas e Alcáçovas (distrito de Évora), Castro Verde (Beja), Águas de Moura (Setúbal), Lourinhã (Lisboa) e Estói, no Algarve, durante o horário de expediente das instituições. Os assaltantes exibiram armas e obrigaram funcionários e clientes dos bancos a entregarem o dinheiro e a ficarem no local, alguns dos quais amarrados ou fechados à chave nos compartimentos dos ATM.

Akelson de Jesus, brasileiro de 44 anos, está acusado de cinco crimes de roubo, nove de sequestro e 32 de falsificação de documento, bem como de uma contraordenação por detenção de arma ilegal. Jhones dos Santos, compatriota daquele, com 43 anos, responde pela coautoria de dois crimes de roubo, um de sequestro e um de branqueamento de capitais.

Os dois homens foram detidos em Belas, concelho de Sintra, no dia 8 de abril de 2025, por inspetores Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ), na posse de 61.355 euros. Neste valor faltavam 1.155 euros do montante roubado no dia anterior na Caixa de Crédito Agrícola da Atalaia, na Lourinhã.

Cinco "mulas", que a dupla usou para efetuar dezenas de transferências bancárias para o Brasil, e que no início da investigação foram constituídos arguidos. Receberam entre 50 e 100 euros por cada operação, mas acabaram por não ser acusados, porque o procurador do Ministério Público (MP) de Évora considerou que "desconheciam a origem do dinheiro".

Arguidos têm cadastro

Ambos os arguidos têm um longo cadastro, tendo Akelson de Jesus sido condenado por crimes semelhantes, primeiro em 2012, a 12 anos de prisão, depois em 2019, a 17 anos e 11 meses de prisão, sendo extraditado em 2022 para o Brasil para cumprimento de pena no país de origem. Enquanto Jhones Santos, havia já sido condenado a 12 anos e 6 meses pelo homicídio de um cidadão irlandês no Algarve.

Segundo a acusação, Akelson começou a fazer viagens do Brasil para Portugal para perpetrar os roubos, entrando no Espaço Schengen com um passaporte com o nome de outro cidadão brasileiro, mas onde constava a sua fotografia. O roubo à dependência do Caixa de Crédito Agrícola de Alcáçovas, levado a cabo em janeiro de 2024, foi o que mais dinheiro rendeu aos assaltantes, tendo sido levados 166.232 euros.

Além das penas de prisão pelos crimes cometidos, o MP pede a condenação dos arguidos a pagarem, a título de perda das vantagens pelos crimes, a quantia total de 486 mil euros, que corresponde à diferença entre o que foi subtraído nos assaltos e o que foi recuperado.

Em prisão preventiva desde o dia 10 de abril de 2025, Akelson encontra-se encarcerado no Estabelecimento Prisional (EP) de Lisboa e Jhones no EP junto da Polícia Judiciária.

Teixeira Correia