Artur Jorge, treinador do Al Rayyan, explicou à SIC Notícias como tem vivido estes dias de tensão na região e refere que é pedido para que fiquem em casa. "Eu vivo no centro de Doha e foi claramente visível tudo aquilo que aconteceu nos céus", destacou.
"Vivemos numa aparente calma. Há dez minutos foram intercetados uns quantos mísseis aqui no território e isto causa-nos alguma ansiedade, algum nervosismo por aquilo que é uma situação que não controlámos e onde estamos expostos a tudo, sem muito poder fazer", começou por relatar Artur Jorge, em declarações à SIC Notícias, explicando como foram os primeiros tempos.
"Os dois primeiros dias foram mais intensos, visualmente até, eu vivo no centro da cidade de Doha e foi claramente visível tudo aquilo que aconteceu nos céus naquele primeiro, segundo dia e primeira noite. Nos últimos tempos são mais os estrondos, sem grande contacto visual, mas percebemos que alguma coisa se está a passar, porque somos alertados até pelo alarme que toca no nosso telefone, porque toda a gente é alertada dos ataques quando estão a acontecer. E conseguimos ouvir aquilo que aparece à distância, mas acabamos por perceber que era num raio de ação muito curto e tudo muito próximo", acrescentou.
O técnico português, de 54 anos, dá conta ainda que "o campeonato está suspenso" e que até pararam com os treinos. "Temos tido diariamente alertas do governo para nos aconselhar a ficar em casa. Só o expressamente necessário é que devemos fazer. Essa rotina que tínhamos anteriormente deixou de existir e é condiconada por estes avisos, alertas e os acontecimentos. Estamos em stand-by a todos os níveis. Tudo o que é serviços do governo também estão fechados, seja bancos ou outras instituições. Supermercados e alguns serviços mais pequenos estão abertos. Já impacta com o Ramadão. Mas com a agravante do dia a dia ser muito de expectativa ou passividade", referiu.
Artur Jorge disse também não ter sido contacto pelas autoridades portuguesas, mas recebeu um alerta da embaixada. "Estou aqui com mais cinco elementos da equipa técnica que também não foram. Tenho o meu filho a jogar cá, com a família, que também não foi. Temos um grupo da embaixada que nos enviou mensagens a preparar para o que ia acontecer. E por tanto estamos nessa situação um tanto expostos", afirmou.
Alguns colegas já pensaram em sair, mas o técnico português diz estar seguro e mantém a ideia de permanecer no Catar, mas com uma condicionante. "Se isto tiver um agravamento, obviamente que tenho de pensar", disse, mantendo a esperança. "Se as coisas mantiveram como estão é uma questão de tempo, creio eu, até que tudo possa voltar à normalidade. Pode não ser necessário abandonar o país", concluiu.