Luís Portela

Todos, no próximo domingo

É curioso o elevado número de indecisos relativamente às eleições portuguesas do próximo Domingo. Dado que as previsões apontam os dois partidos mais votados com intenções de voto semelhantes, serão, aparentemente, os ainda indecisos que irão decidir qual o partido a liderar o futuro Governo.

A dúvida de grande parte dos indecisos parece residir no facto de entenderem que não fomos bem governados nos últimos anos, mas também não perceberem nos programas e discursos alternativos soluções claramente vantajosas. O país vive uma das suas maiores crises económicas e financeiras e as pessoas desejariam governantes altamente qualificados, mas têm dificuldade em os encontrar no atual espetro político.

Mas a verdade é que os eleitores não são obrigados a votar no partido com melhor programa e/ou nos políticos mais bem preparados para governarem apropriadamente o país. Os eleitores têm a liberdade e o direito cívico de escolherem os que lhe parecem os melhores. E, quando essa escolha é difícil, podem e devem escolher os que lhes parecem menos maus.

Sempre será melhor sermos nós a escolher do que entregarmos aos outros a responsabilidade de escolherem por nós. Nas nossas coisas, em nossa casa ou na nossa atividade profissional, também normalmente preferimos ser nós a escolher. Isso defende-nos melhor das soluções disparatadas ou sem sentido.

Também no próximo domingo, Portugal precisa que todos nós façamos a nossa escolha. Se não nos parecer a melhor, que seja a menos má. Mas nunca um disparate qualquer por termos preferido ficar em casa, ir para a praia ou a outro compromisso qualquer.

Foi uma enorme vergonha para todos nós termos que chamar instituições externas para nos apontar quais as medidas a serem tomadas no curto prazo. Escolhamos agora quem saiba cumprir essas medidas e delinear um plano de desenvolvimento para o país a longo prazo. Todos, no próximo domingo.

Redação