Vila Real

Autarcas apreensivos quanto ao futuro da Linha do Corgo

A linha do Corgo, encerrada há dois anos, deveria reabrir no final de 2010, mas continua desactivada, pelo que os autarcas estão apreensivos quanto ao futuro da linha e pedem uma "rápida" intervenção do novo governo.

A linha do Corgo, que ligava a Régua a Vila Real, foi encerrada em março de 2009 pelo governo PS, que alegou razões de segurança.

As obras de reparação iriam ter um investimento de 23,4 milhões de euros e a linha deveria reabrir até ao final de 2010, mas os trabalhos pararam depois do desmantelamento dos carris, dando lugar a um estradão de terra batida.

O presidente da Câmara de Vila Real, o social-democrata Manuel Martins, em declarações à Agência Lusa, acusou o anterior Governo de ter dito "uma série de mentiras, com a conivência das autoridades e de pessoas com responsabilidade na matéria, aos autarcas dos municípios servidos pela linha do Corgo".

O edil adiantou ainda que os Municípios da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real foram "enganados de forma tão sofisticada que será difícil a linha do Corgo voltar a funcionar".

Até porque, frisou, "nunca nada foi cumprido em termos de calendário".

Manuel Martins compreende que o País vive "grandes dificuldades", mas avança que os três municípios estão dispostos a "contribuir com alguma coisa", se a obra for comparticipada por fundos comunitários.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, Francisco Ribeiro (PS), vê com "muita preocupação" esta situação porque considera a linha do Corgo um meio de transporte "essencial" para a região.

Durante uma acção de pré-campanha, o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu a revitalização da linha ferroviária, mas o autarca socialista revelou à Agência Lusa não esperar grandes avanços nas obras, porque "não existe vontade".

Aliás, afirmou, "as últimas notícias dão conta que haverá menos investimento público, por isso a linha do Corgo continuará esquecida".

Francisco Ribeiro acredita que este assunto foi "mandado para o caixote do lixo", mas espera que Pedro Passos Coelho, como transmontano, tenha "algum sentimento de solidariedade" com a região.

Apesar de existirem autocarros, o edil socialista referiu que as estradas "são muito más e perigosas", sendo o comboio "fundamental".

Apesar das restrições económicas do País, Francisco Ribeiro espera que o novo Governo reflicta sobre a Linha do Corgo e "devolva" ao Douro o seu património ferroviário.

A linha ferroviária foi inaugurada há 105 anos e a 2 abril de 2011 o Movimento Cívico pela Linha do Corgo organizou um cordão humano em volta da estação de Vila Real, reivindicando o regresso do comboio.

Redação