Política

Fim de contratos com empresas leva militares a fazer limpeza dos quartéis

A Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda classificou de "afronta à dignidade" dos profissionais da GNR o facto de os militares estarem a limpar os quartéis, por não terem sido renovados os contratos com empresas de limpeza.

"O Ministério da Administração Interna (MAI) deveria ter aberto concursos há dois meses com vista à renovação de contratos com empresas de limpezas mas não o fez, levando a que a 30 de Junho os contratos cessassem, lançando para o desemprego mais de mil pessoas e obrigando os profissionais da guarda a ter de fazer [desde sexta-feira] a limpeza dos quartéis", adiantou o presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG).

José Acho acrescentou à Agência Lusa: "Não é dignificante para a classe limpar quartéis, caixotes do lixo e andar com esfregonas. É 'indignificante' para um órgão de polícia criminal e não é para isso que o Estado e o contribuinte nos pagam".

No entender do presidente da ASPIG, a culpa é "exclusivamente" do MAI que é responsável pela abertura de concurso e pela aquisição de produtos mas, também do Comando Geral da Guarda que, apesar de ter alertado o ministério para o problema, deveria ter "pressionado mais".

José Alho criticou ainda o facto de as categorias profissionais de oficiais e sargentos ficarem de fora dos serviços de limpeza. "Faz lembrar os velhos tempos em que o soldado era escalado para faxina. Isso hoje não é permitido nem consta do regulamento da guarda mas, o 'mexilhão' é sempre o mesmo, a classe mais baixa da GNR", salientou.

O presidente da ASPIG adiantou que fez chegar na segunda-feira as "preocupações e reivindicações" junto do novo ministro da Administração Interna e do secretário de Estado, tendo pedido igualmente uma audiência. "Compreendemos que as coisas não estão fáceis. Esta fase de transição para o novo Governo é complicada mas, esperamos que o nosso pedido seja atendido o mais breve possível", concluiu.

Redação