Política

PSD no limiar da maioria absoluta

Sondagem da Universidade Católica revela que os portugueses avaliam como negativas as políticas do Governo, mas não encontram alternativa no quadro partidário.

As medidas que o Governo tem tomado são negativas e não permitem distribuir os sacrifícios de forma equitativa, mas a alternativa política não é convincente - se hoje se realizassem eleições, o PSD poderia mesmo alcançar maioria absoluta.

Espera-se que o desempenho melhore, embora se reconheça que as condições de vida vão diminuir. É esta a percepção dos portugueses, avaliada a partir da sondagem da Universidade Católica para o JN, "Diário de Notícias", RTP e Antena 1.

Quase metade dos inquiridos (46%) considera má ou muito má a performance do Executivo e nada menos de 55% atribuem às medidas um carácter mais negativo do que positivo.

Qualquer destas percentagens, porém, era bastante superior, em Maio passado - data da última sondagem -, com José Sócrates como primeiro-ministro. Tal facto, se demonstra o desgaste que então atingia a governação socialista, também revela que os portugueses ainda estão disponíveis para conceder ao actual um certo "estado de graça".

A conclusão é reforçada pelos resultados nas intenções de voto. Caso voltasse às urnas, o PSD poderia obter condições para dispensar o CDS do Governo, já que atinge 43%. O parceiro de coligação, que nas eleições de Junho obteve quase 12%, desce para metade. Por outro lado, Passos Coelho é o único líder político cuja popularidade sai reforçada. António José Seguro, cujo congresso de consagração como secretário-geral do PS coincidiu com o período em que teve lugar o trabalho de campo da sondagem, não o consegue superar.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 10 e 11 de Setembro de 2011. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram seleccionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II (2001) e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A selecção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% do resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram seleccionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1457 inquéritos válidos, sendo que 58% dos inquiridos eram do sexo feminino, 33% da região Norte, 23% do Centro, 32% de Lisboa e Vale do Tejo, 6% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residentes no Continente por sexo e escalões etários, na base dos dados do INE, e por região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 51,8%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1457 inquiridos é de 2,6%, com um nível de confiança de 95%.

Paulo Martins