O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia classificou, esta quinta-feira, de "imoral" que os directores de topo da PSP tenham aumentado em segredo os seus salários, uma situação revelada por uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças.
Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), disse que a situação é "imoral" e lembrou que em Janeiro de 2011 a principal reivindicação dos polícias era a de que todos passassem para as novas tabelas remuneratórias, o que não aconteceu.
"Foi uma das principais reivindicações que levaram a ASPP a desenvolver acções de protesto não só com o anterior Governo mas também com este", disse, frisando que esta situação "fere e acaba por beliscar" a coesão interna na PSP.
Em causa, a notícia de que os três directores adjuntos e o inspector nacional da PSP aumentaram-se a si próprios no ano passado, colocando-se logo no novo regime remuneratório da polícia, deixando para trás a esmagadora maioria do efectivo que não transitou para esta tabela, que estava em vigor desde o início do ano.
Paulo Rodrigues referiu que esta situação, da qual a ASPP já tinha conhecimento, "afasta claramente" a direcção da polícia de todos os profissionais.
"Não podemos olhar para os nossos superiores com desconfiança e distância. Neste tipo de instituição como uma força de segurança pública é preciso estabilidade que vem da coesão e do espírito de união interna", salientou.
O presidente da ASPP/PSP adiantou, ainda, que a associação vai abordar estes assuntos com o Governo e com a direcção nacional da PSP porque não podem existir "profissionais de polícia de primeira e outros de terceira".
Ao JN, o Sindicato Unificado da Polícia disse que quer a Procuradoria Geral da Republica investigue este caso.
O porta-voz da PSP, Paulo Flor, contactado pela Lusa, disse que a direcção-nacional não vai fazer quaisquer comentários.
O Diário de Notícias destaca, hoje, que o director nacional, os "três directores adjuntos e o inspector nacional da PSP aumentaram-se a si próprios já no ano passado".
"Os aumentos foram processados quando era director nacional o superintendente chefe Francisco Oliveira Pereira, que se aposentou em Abril deste ano e o director nacional adjunto de operações e segurança, o superintendente chefe Guedes da Silva, actualmente o chefe máximo", explica o jornal.
A "Inspecção-geral de Finanças enviou o relatório para o Tribunal de Contas e fez um conjunto de recomendações à PSP para acabar com as irregularidades".
A auditoria foi pedido pelo ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, tendo sido levada a cabo entre o final do ano de 2010 e o início de 2011.