Economia

Declarações de Villaverde Cabral são "inadmissíveis, aberrantes e estupidificantes"

Arménio Carlos, da CGTP, considera declarações de Villaverde Cabral "inadmissíveis, aberrantes e estupidificantes" João Girão / Global Imagens

As declarações do sociólogo Manuel Villaverde Cabral, que defende a abolição do 1.º de Maio, são "inadmissíveis, aberrantes e estupidificantes", considera Arménio Carlos, membro da comissão executiva da CGTP.

O sociólogo Manuel Villaverde Cabral disse que o Governo deveria optar por acabar com os feriados do 1.º de Maio e do 1.º de Dezembro, por considerar que existem outros dois dias que fazem as mesmas celebrações.

O investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, considera que o 25 de Abril, que assinala o fim da ditadura em 1974, e o 1.º de Maio, que é o Dia do Trabalhador, "são a mesma coisa".

Manuel Villaverde Cabral defende que se acabe com um deles, sendo que, se a escolha fosse sua, optaria pelo segundo.

"Essa declaração ainda é mais grave por ter sido proferida por quem a proferiu e designadamente pela sua formação académica. Confundir aquilo que não é confundível é estupidificante", afirmou Arménio Carlos.

O sindicalista relembrou que o 25 de Abril "é uma data que tem uma ligação directa com a conquista da democracia, da liberdade e com um conjunto de direitos que os trabalhadores conquistaram e o 1º de Maio é uma comemoração que resulta de uma jornada de luta permanente e secular pela redução do horário de trabalho, por melhores condições de vida para os trabalhadores e sobretudo por uma transformação da sociedade, com vista a promover uma maior justiça social".

Para acentuar a diferença entre uma data e outra, Arménio Carlos lembra que "cento e muitos anos depois do 1.º de Maio o horário de trabalho está a ser posto em causa pela proposta do governo, que prevê o aumento do horário de trabalho para 42,5 horas semanais".

"Esta é a demonstração clara e inequívoca de que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Podem ser complementares, agora idênticas é que nunca serão", disse.

Redação