Economia

Rating de Espanha também baixou dois níveis

Cristobal Montoro anunciou medidas de apoio aos governos regionais e locais Juan Medina/Arquivo

A agência de notação financeira Standard & Poor's anunciou esta sexta-feira o corte do 'rating' de Espanha em dois níveis, de AA- para A, com perspectiva negativa.

A descida do 'rating' de Espanha, a par da descida dos 'ratings' da maioria dos países da zona euro, surge depois de o Governo ter confirmado que o défice das contas públicas espanholas ficou acima dos 8 por cento em 2011, dois pontos acima do previsto e do acordado com Bruxelas.

Um desvio orçado em 20 mil milhões de euros, afectado especialmente pela situação do orçamento dos governos regionais e que condiciona significativamente os planos do novo Governo de Mariano Rajoy, que tomou posse em Dezembro.

Esse desvio, mais o ajuste necessário este ano para cumprir a meta de défice para 2012 - fixada em 4,4 por cento - obrigará o Governo a um ajuste total estimado de 40 mil milhões de euros no Orçamento de Estado que deverá ser aprovado até Março.

No intuito de lidar com esse problema o Governo promove na terça-feira uma reunião do Conselho de Política Fiscal e Financeira que analisará a proposta de lei de Estabilidade e Sustentabilidade Orçamental,discutida esta sexta-feira em Conselho de Ministros.

A lei prevê, entre outros aspectos, a imposição de tectos à despesa, défice e dívida das administrações central, regionais e locais e o Governo quer "o máximo consenso" entre as várias administrações, como explicou aos jornalistas a vice-presidente do Governo, Soraya Saénz de Santamaria.

Ainda que o grosso das medidas a aprovar só sejam conhecidas em Março o Governo aprovou já aumentos ao imposto sobre os rendimentos (IRPF) e ao imposto sobre bens imobiliários (IBI), bem como um acordo de "não disponibilidade financeira".

Vários governos regionais têm em curso medidas de austeridade que estão já a suscitar amplos protestos dos trabalhadores, com greves, bloqueios e protestos.

Analistas destacam as grandes dificuldades de financiamento que vários Governos regionais já sentem.

Por isso, esta sexta-feira, o ministro da Fazenda e da Administração Pública, Cristobal Montoro, anunciou o adiamento por 10 anos do prazo para que os Governos regionais e locais devolvam ao Estado fundos antecipados em excesso, para assim facilitar o seu financiamento.

Montoro, que falava em Málaga, referia-se a fundos no valor total de 24 mil milhões de euros que correspondem a devoluções de dinheiro antecipado em excesso, pelo Governo central às comunidades autónomas e autarquias.

Segundo Montoro, trata-se de uma medida que permitirá às administrações regionais e locais conseguir o financiamento de que necessitam "com urgência" para a provisão dos serviços públicos.

Redação