Sociedade

Crianças e chimpanzés gostam de imitar comportamentos

José Mota/Global Imagens

As crianças de dois anos e os chimpanzés mostram semelhanças no comportamento. Ambos tendem a imitar aquilo que faz a maioria. Um estudo revelou que humanos e chimpanzés partilham estratégias de aprendizagem social.

A tendência de imitar os comportamentos comuns da maioria não é exclusiva ao Homem adulto. As crianças optam pela mesma forma de agir, segundo comprovou uma investigação publicada no "Current Biology". O artigo desenvolvido revela ainda que os chimpanzés agem de uma forma parecida.

A semelhança do processo dos símios com o processo humano é ainda, em grande parte, desconhecida. Existe, no entanto, um comportamento chave da transmissão cultural humana que foi, agora, detetado na ação dos chimpanzés: a tendência de imitar as ações/atitudes da maioria.

Investigadores do Instituto Max Planck desenvolveram um estudo onde concluíram que tanto os chimpanzés como as crianças de dois anos são mais propensos a copiar uma ação realizada por três indivíduos (uma vez cada um), do que uma ação realizada três vezes por um só indivíduo.

Imitar comportamento da maioria pode trazer vantagens

A ideia de as crianças se mostrarem tão vulneráveis à postura comportamental do ambiente que as envolve pode parecer negativa. No entando, os autores do estudo, liderados por Daniel Haunm, explicam que imitar o comportamento da maioria pode trazer vantagens do ponto de vista evolutivo.

Esta tendência de aquisição de comportamentos tem sido uma estratégia de transmissão relativamente segura e produtiva.

A transmissão cultural é uma componente chave da evolução humana. Estudos anteriores haviam já adiantado que os chimpanzés e os orangotangos, as espécies vivas mais próximas do ser humano, também transmitiriam tradições comportamentais através de gerações por meios culturais.

A tendência de adquirir os comportamentos da maioria sempre foi colocada como processo chave nas estratégias humanas de transmissão de comportamentos. Contudo, essa tendência não tinha ainda sido demonstrada nos primatas.

Por outro lado, o artigo revela que os orangotangos são uma espécie mais autónoma. Apesar da proximidade com o Homem, esta espécia mostrou ser mais independente e menos influenciável quando está a ser guiada pelas decisões dos outros.

Redação