Economia

Legislação permite lucros imorais de grupos do setor da Saúde

Ricardo Júnior/Global Imagens

O ex-diretor-geral da Saúde, José Luís Castanheira, defendeu, esta quinta-feira, que a legislação portuguesa permite "lucros imorais aos grupos financeiros" e sublinhou que a "mercantilização da saúde" está a conduzir ao desrespeito pelos doentes.

Na saúde, "o setor público não pode despejar no setor privado, mas o privado pode deitar fora o que dá trabalho para o público", criticou aquele que é também professor catedrático do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

Convicto de que "a saúde não pode ser uma área de negócio", o clínico frisou que Portugal também tem "problemas de formação e de acompanhamento de qualidade do desempenho".

Perante tudo isto, sustentou, "as ordens, empresários, governos e associações profissionais têm parecido distraídos das suas responsabilidades em prol das pessoas".

Por outro lado, destacou, o Serviço Nacional de Saúde (SNS), "ao querer dar tudo a todos, em contexto de crise, corre o risco e não dar a quem mais precisa", algo que "os grandes apóstolos do SNS ainda não entenderam".

A intervenção do ex-diretor-geral da Saúde decorreu na sessão da manhã do segundo dia de trabalhos do XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Saúde, que decorre em Fátima até ao próximo sábado.

A iniciativa, promovida pela Comissão Nacional da Pastoral da Saúde da Igreja Católica Portuguesa, está subordinada ao tema "Cuidados de Saúde, Lugares de Esperança (A Saúde em Portugal)".

Redação