A receita aplicada pela troika na Grécia está a resultar?
O país perdeu um quinto da sua riqueza desde 2008; nos primeiros quatro meses deste ano o PIB caiu mais 6,5%; dezenas de milhares de empresas faliram; o desemprego está nos 22% (metade são jovens até aos 35 anos). Paul Krugman diz que o jogo chega ao fim, por exaustão, quem quer que ganhe as eleições: "A Grécia não vai, não pode prosseguir com as políticas que lhe exigem a Alemanha e o BCE".
Porque é que foi preciso repetir eleições?
O sistema partidário grego implodiu a 6 de Maio. Nova Democracia (centro direita) e PASOK (centro esquerda), os partidos do arco do poder que até então somavam 70% dos votos, ficaram-se pelos 30%. Os votos restantes distribuíram-se pelos partidos que não aceitam a austeridade. Três outros factos a ter em conta: o segundo partido mais votado foi a Syriza, coligação de esquerda até então com um papel marginal; os neonazis do Aurora Dourada conquistaram 7% dos votos e 21 deputados; os pequenos partidos que não conseguiram ultrapassar o limiar de 3% de votos que lhes daria direito a representação parlamentar somaram, no seu conjunto, quase 20%.
Haverá desta vez um partido claramente vencedor? Conseguirá uma maioria parlamentar que lhe permita governar?
Fazer previsões numa sociedade tão fragmentada como a grega é um exercício arriscado. No entanto, as sondagens apontam para novos protagonistas da bipolarização: Nova Democracia e Syriza. Com o bónus de 50 deputados que a lei eleitoral atribui ao vencedor, à coligação de esquerda pode ser suficiente um entendimento com outra força de esquerda e anti-austeridade, a Esquerda Democrática. No caso da Nova Democracia, o único parceiro eventual parece ser, de novo, o PASOK, este em perda nas sondagens, tal como todos os restantes partidos parlamentares: Partido Comunista, Aurora Dourada (neonazis) e Gregos Independentes (força de direita anti-austeridade).
Quem faz parte e o que é a Syriza?
É o acrónimo de Coligação de Esquerda Radical. Um conjunto de 12 partidos e grupos comunistas, socialistas, ecologistas, trotskistas e sindicalistas. O principal partido é o Synaspismos, que resultou de um cisma no partido comunista, em 1991, quando este fazia parte de uma coligação governamental. Tsipras tornou-se o líder do Synaspismos e serziu um conjunto de alianças. Muitos analistas argumentam que esta polifonia é a sua principal fraqueza. Outros, que é a diversidade que sustenta a sua força. Uns e outros reconhecem que é Tsipras, um engenheiro civil ateniense de 37 anos, o cimento da coligação.