Mundo

Milhares de manifestantes apoiam mineiros na Puerta del Sol

A Puerta del Sol, no centro de Madrid, recebeu, com milhares de pessoas e uma forte demonstração de solidariedade, os 300 mineiros que nos últimos 19 dias marcharam mais de 400 quilómetros em protesto contra cortes no setor.

"Mineiro, escuta: a tua luta é a nossa luta", ouviu-se repetidamente, quando as lanternas iluminadas entraram na Puerta del Sol que, terça-feira à noite, voltou a encher-se de manifestantes.

"Que viva a luta da classe operária", gritaram muitos, com punhos no ar, ecoando pela praça, repetidamente, a palavra de ordem do protesto que os trouxe aqui: "Mineiros, mineiros".

Entre os protestos dos mineiros ouvem-se também os que tornaram esta praça famosa, aquando das manifestações do movimento dos indignados, em maio e junho do ano passado: "Não, não nos representam".

Foi, aliás, a Orquestra do 15M que tocou o hino mineiro, "Santa Bárbara Bendita", que já se tinha ouvido, várias vezes, ao longo do dia e dos últimos dias.

O protesto dos mineiros tornou-se símbolo do que, antecipam alguns observadores, poderá ser um verão quente com mais mobilizações de vários setores da sociedade espanhola contra a austeridade e as medidas do Governo.

Coincide, ao mesmo tempo, com um novo pacote de medidas, algumas das quais serão detalhadas hoje, quarta-feira, pelo presidente do Governo, Mariano Rajoy, no Congresso de Deputados.

Desde maio que os mineiros de vários pontos de Espanha estão numa greve indefinida, com manifestações, protestos, barricadas e cortes de estradas e vias férreas que, em muitos dias, chegaram a bloquear a região das Astúrias, onde se concentram as principais explorações do carvão.

Grupos de mineiros estão, há várias semanas, encerrados em minas no norte de Espanha e, há 19 dias, duas colunas, oriundas do Norte (Astúrias e Castela Leão) e do Sul (Aragão, Castela La Mancha e Andaluzia), partiram em direção a Madrid.

As duas colunas juntaram-se terça-feira à tarde e, ao final da noite, iniciaram o troço final da sua marcha, recebendo ao longo da caminhada até à Puerta del Sol o apoio de milhares de pessoas que, depois, se uniram ao protesto, enchendo a Gran Via e, depois, sem incidentes, a praça central de Madrid.

Um jornalista espanhol, no seu twitter, comparou a marcha noturna, marcada pelas luzes das lanternas dos capacetes dos mineiros, com as marchas pascais enquanto na Gran Via - que encheu para celebrar a vitória de Espanha no Euro2012 - se ouvia a frase: "Campeões, Campeões, vocês sim são a seleção".

Era um protesto simbólico de pouco mais de 300 mineiros, mas que se transformou, desde o final da noite de terça-feira e já entrada a madrugada de quarta-feira, numa grande manifestação.

Milhares de cidadãos, muitos deles com camisolas de protesto em defesa da educação pública ou com fatos de macaco, no caso de bombeiros de Madrid, uniram-se aos mineiros, fazendo demorar o percurso da marcha.

Na Moncloa, um dos principais distribuidores da rede de transportes públicos madrilena, os mineiros foram recebidos com foguetes e uma banda de música que tocou o hino mineiro.

Cartazes contra os cortes do setor do carvão - que motivaram os protestos dos mineiros que se arrastam desde maio - recordam os lemas do protesto: "Se isto não se resolve, guerra, guerra, guerra", "se não há solução haverá revolução" e "hoje bandeiritas, amanhã dinamite" têm sido alguns dos gritos que se ouviram ao longo do protesto pelas ruas do centro da capital espanhola.

Redação