Desporto

O coração da amadora Clarisse Cruz levou-a ao topo mundial

Clarisse Cruz, à esquerda, obteve um surpreendente 11.º lugar Stefan Wermuth/Reuters

O coração de Clarisse Cruz levou-a esta segunda-feira ao 11.º lugar dos 3000 metros obstáculos dos Jogos Olímpicos Londres 2012, após uma final em que a atleta amadora de Ovar orgulhosamente se sentiu no topo mundial.

A prestação de Clarisse Cruz na capital britânica preenche todos os requisitos para ficar assinalada na história do atletismo nacional e completa aquilo que é considerado o espirito olímpico.

Aos 34 anos, a assistente administrativa da Câmara Municipal de Ovar, habituada a treinar todos os dias após finalizado o seu trabalho, chegou a Londres 2012 e lutou frente às melhores atletas mundiais da sua especialidade, terminando num inesperado e surpreendente 11.º lugar.

"Ganhar a atletas do top, para uma não profissional, foi o expoente da minha carreira. Agora, também me considero do topo mundial", afirmou uma sorridente e orgulhosa Clarisse Cruz, sem nunca perder a sua simplicidade.

Atrás da portuguesa ficou por exemplo a espanhola Marta Dominguez, campeã mundial em 2009, que mal terminou a corrida abandonou a pista do Estádio do Olímpico e, como um furacão, passou pela zona mista sem prestar qualquer declaração, criando o "caos" junto dos jornalistas do seu país que a perseguiam.

Na pista, Clarisse Cruz completou a prova em 9.32,44 minutos, dois segundos acima do seu recorde pessoal (9.30,06) alcançado no sábado, mas a sua corrida ficou marcada por um arranque repentino nos últimos metros, quando seguia na 14.ª e penúltima posição.

"Fui ao fundo do meu coração buscar as forças todas que tinha e consegui ultrapassar três adversárias", contou a portuguesa, que desde os 11 anos se "apaixonou" pelo atletismo.

"Atingi o lugar que tanto esperava. Nunca pensei que chegasse à final. Foi brilhante, só faltou o diploma olímpico, mas não deu. A corrida foi bastante rápida, ainda tentei, mas ressenti-me do cansaço. Já tenho mais dificuldades em recuperar devido à idade", explicou Clarisse Cruz.

A medalha de ouro acabou por cair nas mãos da russa Yulia Zaripova, que assim se sagrou campeã olímpica depois de chegar a Londres 2012 com o estatuto de atual campeã mundial, tendo alcançado também a sua melhor marca pessoal, com 9.06,72 minutos, menos 26 segundos do que a portuguesa.

Mesmo assim, a chegada ao topo mundial não faz deslumbrar Clarisse Cruz, que, no seu jeito simples e sincero, explicou que não tem qualquer intenção em mudar de vida.

"Já tenho 34 anos e não consigo recuperar como recuperava antes. Vou continuar assim, fazendo sempre o atletismo quase como um hobby", garantiu.

Redação