Manifestações do 15 de Setembro

Braga pede para "troika ir embora"

Há quem mostre o pouco que lhe resta... Nuno Cerqueira

Em Braga, mais de sete mil pessoas gritam para a "Troika ir embora". A marcha tomou conta do palco na avenida central. Reformados, estudantes, desempregados e empregados juntam-se em protesto desde as 15 horas deste sábado em "assembleia popular".

"Estão a ir-me ao bolso face à incompetência dos governantes.Todos tem culpa, seja de que cor for. È preciso uma revolta daspessoas", frisa Susana Fernandes, desempregada de 46 anos e queteme pelo futuro.

Já António Castro, professor, diz que a situaçãoesta a ficar critica, pois "estão a destruir a classe média"." Parece que em Portugal só direito a existirem duas classes:os muito pobres e os muitos ricos", frisa António, que lamentaas mentiras da austeridade.

"Pedem sacrifícios, mas sempre quevemos as noticias há sempre mais uma medida de roubo à classetrabalhadora", frisa. Há quem traga as cuecas na mao, pois "jánem de tanga andamos".

"Este é um ponto de viragem no país e um sinal para aEuropa", diz Eduardo Veloso, jovem estudante de megafone na mão.

Alguns turistas, surpreendidos pela ação de rua, juntam-se,principalmente espanhóis. "É um problema europeu. Claro queestamos solidários, pois no nosso país a situação não é fácil",diz David Senem, galego que está de passagem em Braga.

Rui Tavares, que saiu do Bloco de Esquerda em rutura com Louça, masque se mantém como eurodeputado, marca presença em Braga.

"Foi uma casualidade. Estava em Braga e vim até aqui",explica Rui Tavares, que juntou aos cidadãos e que afirmou "queo pais chegou a um ponto de rutura face às medidas que nãoresultaram".

"O povo teve muita paciência, agora a apercebeu-se queestas medidas é uma luta de classes de ricos contra os pobres. Nãoa muito acrescentar aquilo que eles estão a dizer aqui. Basta destaspoliticas", frisa Rui Tavares.

Os mais de 7000 manifestantes circulam agora em marcha pelas ruasdo centro da cidade. Cerca de 15 agentes da PSP e outros à paisanavigiam a marcha que corre sem incidentes.

Nuno Cerqueira