O ex-ministro Freitas do Amaral disse, esta quinta-feira, que o resultado obtido por Portugal no regresso aos mercados é bom para a credibilidade do país, mas não é mérito do Governo.
"Ontemfez-se um grande festejo por Portugal ter regressado aos mercados. Ébom para o país porque é o início de uma recuperação dacredibilidade do Estado nos mercados financeiros internacionais, masnão é mérito deste Governo, o mérito é do senhor Mario Draghi",presidente do Banco Central Europeu (BCE).
Freitas doAmaral sublinhou que, em agosto passado, o presidente do BCE"comprometeu-se a defender o euro fosse como fosse",declarações que permitiram aos mercados "recuperar aconfiança", provocando uma baixa dos juros.
"Euacho que foi uma boa decisão aproveitar a oportunidade, mas isto nãotem nada a ver com os méritos do Governo", reforçou, frisando,ainda, que "é bom para a credibilidade da RepúblicaPortuguesa, mas não se refletirá em nenhuma melhoria da situaçãode vida dos portugueses".
Sobre osdados da execução orçamental de 2012, conhecidos na quarta-feira,Freitas do Amaral considerou que o Governo recorreu a "umtruque" com o recurso a receitas extraordinárias da venda daANA.
"Oque está no memorando é que a correção do défice se faria semrecurso a receitas extraordinárias. Este truque que ainda não foidevidamente sublinhado é que permite cumprir o défice. Se nãofosse isso teríamos um défice superior aos cinco por cento queestavam prometidos", disse o fundador do CDS-PP.