Cultura

Álbum póstumo de Cesária Évora sai a público

Global Imagens/Arquivo

O primeiro álbum póstumo de Cesária Évora, "Mãe carinhosa", com lançamento mundial na segunda-feira, tem treze canções gravadas pela "diva dos pés descalços", entre 1997 e 2005, doze delas inéditas na sua discografia, disse fonte da editora.

"MãeCarinhosa" - um inédito, com letra e música de TeófiloChantre, composto de propósito para a cantora, que o gravou em 2003- dá título ao CD, editado pela LusAfrica.

CesáriaÉvora morreu no Mindelo, a 17 de dezembro de 2011, aos 70 anos. Naocasião, o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, afirmouque a cantora "foi uma deusa terrena que, a partir da noite doMindelo, da qual sempre foi parcela integrante, iluminou o mundo,carregou a dor, o sofrimento, os anseios, a alegria, os amores e osdesamores da nossa gente, de todos nós".

Doze dostreze temas do álbum não fazem parte da discografia editada dacantora, disse à Lusa José da Silva, que foi agente artístico deCesária. A exceção é "Sentimento", com letra e músicade Tututa, que abre o álbum, e já integrou um anterior CD dacantora.

José daSilva disse à Lusa desconhecer se algum dos temas do novo álbum foijá editado por outro intérprete cabo-verdiano, tendo sublinhado,porém, que "totalmente inéditos" são as canções"Emigue Ingrote", de Jon Luz, composta de propósito paraCesária, e gravada em 2005, assim como "Tchon de França"e "Esperança", de Nando da Cruz, e ainda a canção"Essencia d'Vida", de Constantino Cardoso.

"Dordi Sodade" e "Talvez", de B. Leza, "DosPalavras", de Humberto "Chicuco" Palomo, e "Quemtem ódio", de Frank Cavaquinho, também se encontram no novoálbum da Cesária, conforme o alinhamento a que a agência Lusa teveacesso.

Completamo disco os temas "Caboverdeanos d"Angola", de GregórioGonçalves, "Cme Catchorr", de Manuel de Novas, e "NosCabo Verde", de Pedro Rodrigues.

Oempresário e agente da cantora revelou ainda à Lusa dispor de temassuficientes para vir a editar um segundo disco póstumo de CesáriaÉvora, o que "só deverá acontecer dentro de dois ou trêsanos", concluiu.

A "divados pés descalços", como a imprensa se referiu muitas vezes aCesária Évora, nasceu na cidade do Mindelo, numa família demúsicos.

"Cize"como era carinhosamente tratada pelos amigos, tornou-se no nome maisinternacional de Cabo Verde, país de onde o mundo conhecia jámúsicos como Luís Moraes e Bana.

Desde cedoque Cesária Évora se lembrava de cantar, como referiu numa dasmuitas entrevistas que deu: "Cantava ao ar livre nas praças dacidade para afastar coisas tristes".

Aos 16anos cantava nos bares das cidades e nos hotéis, começando a ganharuma legião de fãs que a já aclamavam como "rainha da morna".

Em 1985, aconvite de Bana, proprietário de um restaurante e de uma discotecacom música ao vivo, em Lisboa, Cesária Évora deslocou-se àcapital portuguesa e gravou um disco, que passou despercebido àcrítica, seguindo então para Paris onde foi "descoberta".Daqui, partiu para os palcos do mundo.

Em 1988gravou "La diva aux pied nus", álbum aclamado pelacrítica, e, em 1992, "Miss Perfumado", tornando-se, aos 47anos, uma "estrela" da "world music", fazendoparcerias com importantes intérpretes e pisando os prestigiadospalcos.

Em 2004recebeu um Grammy para o Melhor Álbum de "world music"contemporânea, pelo disco "Voz d'Amor", cumprindo entãosucessivas digressões e regressando, de vez em quando, à terranatal, onde morreu em dezembro de 2011.

No próximodia 14 de abril deverá ser inaugurada a Casa Museu Cesária Évora,no Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente.

Redação