O bispo de Bragança-Miranda, José Cordeiro, defendeu, esta sexta-feira, que os mais recentes cortes anunciados pelo Governo na despesa pública devem ser feitos "olhando ao bem comum e não apenas aos interesses de alguns".
O maisjovem bispo de Portugal afirmou, em declarações à Lusa, encarar"com alguma preocupação" as medidas anunciadas que lhemerecem "um apelo veemente àquelas pessoas que têm aresponsabilidade política, económica e social do país para que ofaçam com responsabilidade, com seriedade".
"Ofaçam ultrapassando todos os interesses político partidários,olhando ao bem comum e o bem comum é o interesse de todos, não ésó o interesse de alguns, e que atenda às reais necessidades pelasquais nós vivemos", sublinhou.
JoséCordeiro reiterou ainda aquilo que já a Conferência Episcopalportuguesa disse sobre medidas anteriores e o apelo dos bisposportugueses "à esperança a todas as pessoas e, sobretudoàqueles que mais precisam".
O preladofalava à margem de uma visita pastoral a algumas paróquias deBragança, que iniciou em setembro, e que durante quatro anos olevará às 634 aldeias da diocese de Bragança-Miranda.
Nocontacto com as pessoas, ao longo do ano e meio que está em funçõese sobretudo nestas visitas pastoreais, José Cordeiro tem visto"mesmo já nas aldeias, uma pobreza presente fruto da conjunturaque o país está a viver".
O bispoteme que os novos cortes "agravem ainda mais o sofrimento"que bate à porta das instituições sociais ligadas à Igreja nestaregião do Distrito de Bragança, sobretudo da Cáritas, mas tambémdos centros sociais e paroquiais, fundações e instituições desolidariedade social católicas.
"Temosnotado sobretudo as pessoas que pela primeira vez recorrem aosserviços paroquiais diocesanos, nomeadamente à Cáritas diocesana,e isso começa a ser muito preocupante e muito alarmante",apontou.
Apesar dasdificuldades que também estas instituições enfrentam, o bispogarantiu que "conseguem atender e a forma de atender éacompanhar as pessoas, não é apenas dar coisas e muito menos dardinheiro, mas procurando pagar a fatura do gás, da farmácia, daeletricidade, das rendas de casa, e ajudando na medida do que épossível as pessoas a sair da situação de pobreza".
JoséCordeiro recordou que "a pessoa humana, o bem comum e asolidariedade são as bases do primado da doutrina social da Igreja".
"Nóssomos chamados ao desenvolvimento e à paz, ao progresso. É para aíque a humanidade caminha, não é um crescimento feroz desta economiade mercado e do lucro pelo lucro, mas é um crescimento em ordem aodesenvolvimento integral da pessoa", acrescentou.