Economia

Medidas são "terceiro pacote" com "aumento de impostos", diz economista Pedro Lains

O economista Pedro Lains considerou, este sábado, que as medidas anunciadas pelo Governo são um "terceiro grande pacote de austeridade" com "aumento de impostos" e que o alívio proposto para 2015 tem a ver com o ciclo eleitoral.

Para oeconomista, além das medidas de cortes na despesa, o que PassosCoelho anunciou na noite de sexta-feira corresponde também a "umaumento de impostos, só que não é generalizado porque recai sobreuma parte da população".

PedroLains disse, ainda, que este é "um terceiro grande pacote deausteridade", o que coloca Portugal num caminho muito semelhanteao da Grécia, de recessão em recessão.

"Esseé o objetivo. Isso tem uma explicação económica, porque arecessão traz menores necessidades de financiamento externo daeconomia, sobretudo das famílias e das empresas", afirmou,considerando que uma economia como a portuguesa em crescimentoprecisa de financiamento externo, logo, "a única forma dereduzir as necessidades de financiamento externo é fazer com que aeconomia não cresça".

Além doimpacto económico, o investigador coordenador do Instituto deCiências Sociais da Universidade de Lisboa disse ainda que a escolhadas medidas tem relevo pela sua "importância política" eque se notam "preocupações eleitorais" na forma comodeverão executadas.

"Aprimeira é que recai sobre uma parte da população em que PSD e CDStêm menos eleitores e a segunda, que é extremamente grave atendendoà dimensão das medidas, é que a austeridade foi reduzida em 2015,que é ano de eleições para a Assembleia da República",considerou o também especialista em história económica.

Oprimeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na sexta-feira ànoite um pacote de medidas que deverão poupar 4,8 mil milhões deeuros nas despesas do Estado até 2015 e que inclui o aumento dohorário de trabalho da função pública das 35 para as 40 horas, aredução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade dareforma para os 66 anos de idade, entre outras medidas.

O Governopretende também criar uma nova contribuição sobre as pensões eprevê o aumento das contribuições para os subsistemas de saúdedos trabalhadores do Estado (nomeadamente a ADSE) em 0,75 pontospercentuais, já este ano, e 0,25 % no início de 2014. Oprimeiro-ministro anunciou ainda que o Governo pretende limitar apermanência no sistema de mobilidade especial a 18 meses e eliminaros regimes de bonificação de tempo de serviço para efeitos deacesso à reforma.

Redação