O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considerou, esta terça-feira, que as questões abordadas segunda-feira no Conselho de Estado "infelizmente não trouxeram nada de novo", pelo que o encontro não passou de "mais uma desilusão".
"[OConselho de Estado] vem dizer que é preciso mais solidariedade, mascumprir o programa de austeridade. Ora, nós as achamos que oprograma de austeridade já ultrapassou claramente as barreiras desofrimento do povo português, portanto, compaginar as duas questõesé difícil", declarou Carlos Silva.
O lídersindical falava aos jornalistas antes da reunião de concertaçãosocial que, esta terça-feira, é presidida pelo ministro adjunto edo Desenvolvimento Regional, para discutir o novo quadro comunitáriode apoio.
"Émais uma desilusão, a juntar às muitas que temos tido nos últimostempos por parte dos órgãos de soberania", concluiu.
Questionadosobre o mesmo tema, o presidente da Confederação do Comércio eServiços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, manifestou-se"preocupado" com o facto de, face à situação económicaem Portugal, "ter sido pouco claro o nível de profundidade comque estes temas foram debatidos".
O Conselhode Estado defendeu a necessidade de equilíbrio entre disciplinafinanceira, solidariedade e estímulo à economia, realçando apossibilidade de criação de um instrumento financeiro desolidariedade para apoiar as reformas estruturais, aumentar acompetitividade e o crescimento.
Após setehoras de reunião, o secretário do Conselho de Estado, AbílioMorgado, leu aos jornalistas um comunicado de cinco pontos,enumerando as questões abordadas no encontro do órgão político deconsulta do Presidente da República, que tinha como ordem detrabalhos o tema "Perspetivas da economia portuguesa nopós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efetivae aprofundada".
O Conselhode Estado debruçou-se igualmente sobre "a perspetiva do reforçoda coordenação das políticas económicas e da criação de uminstrumento financeiro de solidariedade destinado a apoiar asreformas estruturais dos Estados-membros, visando o aumento dacompetitividade e o crescimento sustentável".
Noterceiro ponto é referido que, no quadro da criação de uma UniãoBancária, foi também analisada "a instituição dos mecanismosde supervisão, de resolução de crises e de garantia de depósitosdos bancos, um passo da maior importância para corrigir a atualfragmentação dos mercados financeiros da Zona Euro".