O presidente do maior partido da oposição em Angola acusou, esta quarta-feira, os autores dos recentes assassínios de dirigentes da UNITA ocorridos em Luanda de terem "motivação política".
IsaíasSamakuva, que falava à imprensa no final de um encontro com oembaixador dos Estados Unidos em Luanda, reafirmou que o seu partidopossui provas quando afirma que agentes da polícia foram os "autoresmateriais" do assassínio de dois dirigentes seus na noite desábado para domingo no município do Cacuaco.
Instado adizer se acreditava que a exoneração, pelo presidente da República,da comandante provincial da Polícia em Luanda se devia aos factosocorridos no fim de semana, Isaías Samakuva escusou-se a entrar em"especulações", mas manifestou-se "espantado" e"preocupado".
"Nãoposso especular se é uma exoneração que já estava decidida, setem a ver com aquilo que se passou. Mas a verdade é que tanto aprópria polícia como as autoridades administrativas, como até asautoridades políticas não estão a falar absolutamente nada sobre oassunto", disse.
Samakuvadisse estar "espantado" com o que designou como "ondade mortes que está a subir" e "preocupado porque ela éclaramente motivada por questões políticas".
Em causaestá a alegada execução de dois dirigentes locais da UNITA, quealega estar na posse de provas e testemunhos que comprovam terem sidoagentes da polícia a levar a cabo aqueles assassínios.
A mortedos dois dirigentes do partido ocorreu cerca de 24 horas depois dedesconhecidos terem disparado sobre três agentes da polícia, nomesmo município do Cacuaco, ferindo-os mortalmente.
IsaíasSamakuva considerou que "de um lado estamos a falar do processodemocrático, mas do outro as pessoas desaparecem por exprimiremideias contrárias às daquelas que estão no poder".
"Tudoo que nos chega, todos os dados que nós temos, com nomes, commatrículas das viaturas, com tudo o que se passou, nós não estamosa acusar a polícia como mentora. Nós estamos a dizer que a políciaé autora. Os dados que temos dizem que são agentes da polícia queo fizeram", frisou.
Nasequência das alegações da UNITA, o ministro do Interior, ÂngeloTavares, apelou hoje em Luanda à prudência de responsáveis departidos políticos da oposição e cidadãos comuns nas declaraçõessobre os "acontecimentos criminosos que têm estado a ocorrer",para se evitarem reações mais iradas da população, segundoescreveu a agência Angop.
O apelo doministro foi feito depois de ter participado no velório dos trêsagentes assassinados por desconhecidos na noite de sexta-feira parasábado.
Segundo ogovernante, escreve ainda a Angop, "as acusações feitas pelaUNITA são levianas e irresponsáveis".
ÂngeloTavares reconheceu que se têm registado alguns crimes violentos,facto que obrigou ao reforço visível do patrulhamento, com recursoa efetivos da Polícia de Intervenção Rápida.
Instado acomentar as declarações do ministro, o líder da UNITA lamentou quetenha tirado conclusões sem antes investigar o que se passou.
"Masa única coisa que posso adiantar desde já é que essas mortesrevelam a incompetência das autoridades em garantir a segurança doscidadãos", concluiu.
O encontrodo embaixador dos Estados Unidos, Christopher McMullen, com IsaíasSamakuva serviu para o diplomata apresentar cumprimentos dedespedida, após cerca de três anos na representação diplomáticaem Luanda.