A União Europeia de Rádio e Televisão solicitou, esta terça-feira, ao Governo grego que anulasse a sua decisão de encerrar as cadeias públicas de rádio e televisão ERT.
Opresidente da UER, Jean-Paul Philippot, e a sua diretora-geral,Ingrid Deltenre, escreveram ao primeiro-ministro grego, AntonisSamaras, para lhe solicitar "que use todos os seus poderes paraanular imediatamente esta decisão", indica a UER, emcomunicado.
As cadeiasda ERT deixaram de emitir, esta terça-feira, às 23 horas (21 horasem Portugal Continental) e os ecrãs ficaram negros, com o emissorprincipal, situado numa montanha perto de Atenas, a ser desativadopela polícia, segundo fonte sindical.
Apesar deintegrarem o Governo, os socialistas do PASOK e o principal partidoda oposição, o Syriza, já manifestaram a sua oposição à medida.
O líderdo Syriza, Alexis Tsipras, considerou a decisão governamental um"golpe de Estado".
Opresidente do principal sindicato dos assalariados da ERT, PanayotisKalfayanis, considerou o ato ilegal e acusou o Governo de ter"desligado o emissor principal", considerando que asituação "parece mais um governo de Ceausescu do que umademocracia".
No seutexto, a UER sustentou que "a existência de serviço público ea sua independência a respeito do Governo estão no coração dassociedades democráticas"".
A decisãodo Governo de Atenas, anunciada esta terça-feira, vai levar aodespedimento de 2.700 pessoas.
"AERT é um caso de extraordinária falta de transparência e deincrível esbanjamento. Isso acaba agora", disse o porta-voz doGoverno, Simos Kedikoglou, em conferência de imprensa, acrescentandoque "em seu lugar, começará a funcionar o mais rapidamentepossível um organismo público, moderno, com muito menos pessoal".
Emcomunicado, o sindicato da ERT afirmou que "o Governo estádisposto a sacrificar a rádio e televisão pública para cumprir"as exigências dos credores internacionais (Comissão Europeia, BancoCentral Europeu e Fundo Monetário Internacional).
A centralsindical da administração pública, Adedy, descreveu o encerramentoda emissora pública como um "golpe de Estado".
Nasegunda-feira, os representantes da 'troika' iniciaram em Atenas maisuma avaliação regular da aplicação das medidas de austeridade ereformas estruturais exigidas como contrapartida dos empréstimosinternacionais.
Asreformas exigidas pela 'troika' incluem uma redução drástica donúmero de funcionários públicos, 2.000 até ao fim deste mês, e afusão ou encerramento de organismos públicos.