PCP, PS e Bloco de Esquerda já reagiram à solução de Governo apresentada, este sábado, por Pedro Passos Coelho. Os partidos estão descontentes com a situação e exigem eleições.O Bloco de Esquerda afirma que Portas lançou uma OPA hostil à coligação.
PCP
O PCP insistiu este sábado na convocação deeleições antecipadas e advertiu o presidente da República queninguém aceitará que deixe de assumir as suas competênciasconstitucionais perante o "espetáculo de degradação"política do Governo.
A posição dos comunistas foi transmitida por Jorge Cordeiro, membro da Comissão Política e do Secretariado do PCP, após o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter anunciado o novo entendimento político de Governo com o CDS-PP.
"Nada pode iludir que estamos perante um Governo politicamente derrotado e socialmente isolado. Apesar de estar agarrado ao poder, este Governo é já parte do passado", declarou Jorge Cordeiro.
Para o dirigente comunista, com um Governo e uma maioria PSD/CDS que "agem permanentemente contra a Constituição, não há qualquer outra saída digna e democrática que não seja a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições" legislativas antecipadas.
PS
O secretário-geral do PS, AntónioJosé Seguro, considerou que as mudanças no Governo anunciadaseste sábado pelo primeiro-ministro são uma "solução para oPSD e CDS", mas não para o país nem para os portugueses.
"O que ouvimos hoje doprimeiro-ministro pode até ser a solução para o PSD e para o CDS.Não é, de certeza, uma solução para o país nem uma soluçãopara os portugueses", afirmou Seguro aos jornalistas antes daapresentação do candidato do PS em Mêda, Anselmo Sousa.
Segundo António José Seguro, quedefende a realização de eleições antecipadas no mesmo dia asautárquicas, em setembro, "a eventual continuação desteGoverno representa mais empobrecimento, mais desemprego, um corte de4,7 mil milhões nas funções sociais do Estado".
BE
O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo considerou que a "recauchutagem" do Governo anunciada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, é uma "OPA hostil" do líder do CDS-PP, Paulo Portas, sobre a coligação.
"Acabamos de assistir a um Pedro Passos Coelho resignado perante a OPA hostil [oferta pública de aquisição] que Paulo Portas lançou sobre a coligação", afirmou o responsável bloquista, depois de o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, ter anunciado o novo entendimento político de Governo com o CDS-PP, que passa pela escolha de Paulo Portas para vice-primeiro-ministro.
Para João Semedo, o "executivo recauchutado" anunciado por Passos Coelho vai "continuar com a política até aqui seguida: mais austeridade e mais uma vez resignação perante a divídua, perante o memorando e perante a troika".