Política

Passos aceita chegar ao acordo proposto por Cavaco

Passos Coelho está empenhado na concretização da proposta do presidente da República Orlando Almeida/Global Imagens

O primeiro-ministro expressou, esta quinta-feira, ao presidente da República "o seu empenhamento em chegar a um acordo com as características que o chefe de Estado enunciou na quarta-feira", disse à Lusa fonte oficial do Governo.

Momentosantes, a vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho afirmava, àagência Lusa, que o seu partido tem "total disponibilidade parao percurso de consenso" proposto pelo presidente da República,Cavaco Silva.

"Estamostotalmente disponíveis para todos os consensos, nas questões quesão absolutamente cruciais. Sempre foi possível haver entendimentosna vida política sobre questões que são de relevante interessenacional, e é para isso que nós cá estamos, para garantir quetodas as matérias de relevante interesse nacional sejamasseguradas", declarou Teresa Leal Coelho à Lusa, na Assembleiada República.

Adirigente da Comissão Política Nacional do PSD acrescentou que oseu partido vai agir "com serenidade, e enquanto garante deestabilidade, e com total disponibilidade para este percurso deconsenso, respondendo ao convite ou ao repto do Presidente daRepública".

Opresidente da República, Cavaco Silva, recebeu, esta quinta-feira, oprimeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, noPalácio de Belém, cerca das 18 horas, depois de ter recebido osecretário-geral do PS, António José Seguro, e o presidente doCDS-PP, Paulo Portas.

Comunicação ao país

Naquarta-feira, o presidente da República fez uma comunicação aopaís, na qual propôs um acordo de médio prazo entre a maioriaPSD/CDS-PP e o PS que assegure o apoio às medidas necessárias àconclusão do programa de resgate a Portugal que esses três partidossubscreveram, prevista para junho de 2014, e o regresso aofinanciamento do Estado português nos mercados no início desse ano.

Segundo opresidente da República, o acordo entre PSD, PS e CDS-PP "teráde estabelecer o calendário mais adequado para a realização deeleições antecipadas" no pós-'troika', a partir de junho de2014.

O chefe deEstado pretende ainda que esse acordo tripartido, a que chamou"compromisso de salvação nacional", inclua umcomprometimento "entre os três partidos que assegure agovernabilidade do país" após as próximas legislativas.

"Ireicontactar de imediato os responsáveis dos partidos que subscreveramo memorando de entendimento para analisarmos a solução queproponho", declarou Cavaco Silva, numa comunicação ao país.

Opresidente da República não esclareceu o que fará PSD, CDS-PP e PSnão alcancem esse acordo, afirmando apenas: "Sem a existênciadesse acordo, encontrar-se-ão naturalmente outras soluções noquadro do nosso sistema jurídico-constitucional".

"Nostermos da Constituição, como disse, existirão sempre soluçõespara a atual crise política", reiterou.

Estacomunicação de Cavaco Silva ao país foi feita na sequência de umacrise no executivo, que entretanto PSD e CDS-PP tinham dado porresolvida, através de um "entendimento político" para acontinuidade do executivo, que Pedro Passos Coelho foi apresentar aCavaco Silva, em Belém, na sexta-feira da semana passada.

As linhasgerais desse entendimento foram divulgadas por Pedro Passos Coelho,no sábado, num hotel de Lisboa.

Com PauloPortas ao seu lado, o presidente do PSD declarou que ele assegurava aestabilidade do Governo até ao fim da legislatura, o cumprimento oscompromissos externos de Portugal, reforçava o valor da políticaeconómica e tinha consequências na composição do Governo.

Oprimeiro-ministro adiantou ter proposto Paulo Portas para o cargo device-primeiro-ministro, e a manutenção de Maria Luís Albuquerquecomo ministra de Estado e das Finanças.

Na suacomunicação ao país desta quarta-feira, o presidente da Repúblicanão esclareceu o que pretende fazer quanto a essa proposta deremodelação governamental.

A crise noexecutivo PSD/CDS-PP envolveu um pedido de demissão do Governo doministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, naterça-feira da semana passada, um dia depois de o ministro de Estadoe das Finanças, Vítor Gaspar, se ter demitido.

PauloPortas classificou a sua demissão de "irrevogável" ejustificou-a com o facto de o primeiro-ministro ter optado pelo queconsiderou ser um "caminho de mera continuidade" nasFinanças, ao substituir Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque,com a sua discordância, que referiu ter "atempadamente".

Redação