O Governo disse, esta quinta-feira, que nunca "atribuiu responsabilidades" a alguém quanto às inconsistências que encontrou na proposta do Citigroup, para reduzir artificialmente o défice, e que já pediu à Justiça para determinar a origem das alegadas incongruências.
"OGoverno assinala que, no que respeita à divulgação pública de umaapresentação "powerpoint" do Citigroup com inconsistênciasface à que se encontra na sua posse, não atribuiu responsabilidadessobre as mesmas", disse o Ministério das Finanças emcomunicado, acrescentando que "o Governo limitou-se a apontar asincongruências óbvias entre ambos os documentos".
O gabineteliderado por Maria Luís Albuquerque afirmou ainda que o Executivo jápediu "às entidades competentes o apuramento completo dosfactos".
ODepartamento de Investigação e Ação Penal anunciou estaquarta-feira a abertura de um inquérito para investigar eventual"ilícito criminal" na alegada manipulação do documentodivulgado pela comunicação social.
A nota dasFinanças acontece depois de, na terça-feira à noite, terem enviadoum comunicado que chegou a apenas alguns órgãos de comunicaçãosocial, e que dizia que foi manipulado o documento que implica osecretário de Estado do Tesouro demissionário, Joaquim Pais Jorge.
OMinistério justificou a acusação com o facto de o documento naposse dos jornalistas não ter referências cronológicas nem númerosde página, ao contrário do original que data de 1 de julho de 2005,e disseram ainda que o documento divulgado pela comunicação socialtem "um organigrama inverosímil, que não consta daapresentação original", feita pela equipa do Citigroup em2005.
Já naquarta-feira a SIC revelou que o documento que divulgou, e que oMinistério das Finanças considerou forjado, teve origem naresidência oficial do primeiro-ministro, enquanto aquele que oMinistério das Finanças divulgou veio do IGCP - Agência de Gestãoda Tesouraria e da Dívida Pública.
O gabinetedo primeiro-ministro esclareceu esta quinta-feira que os documentosdivulgados pela SIC e pela Visão não foram fornecidos pelo atualgabinete
Ainda numanota da direção de informação da SIC e da Visão divulgadaquarta-feira à noite, os dois órgãos de comunicação garantiramque "obviamente não forjaram nem manipularam qualquer documentosobre este ou qualquer outro assunto" e pedem que seja dada umarápida explicação por parte do Governo.
"OGoverno deve esclarecer se houve ou não manipulação de documentospúblicos, que documentos foram forjados e por quem", refere anota das direções de informação.
A polémicaem torno da apresentação pelo Citigroup, em 2005, de uma propostade 'swaps' ao governo PS para fugir às regras do Eurostat e baixarartificialmente o défice levaram, na quarta-feira, ao pedido dedemissão de Joaquim Pais Jorge, que no início de julho foiempossado secretário de Estado do tesouro por indicação daministra das Finanças.