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Renovação forçada abre caminho a nova geração de autarcas

Infografia/JN

Só por força da lei da limitação de mandatos, os rostos políticos de cerca de 150 municípios mudam após as eleições deste domingo. A redução do número de freguesias também removeu "dinossauros".

Parte dos presidentes de Câmara que cumpriam o último mandato permitido foi entretanto saindo de cena e passando a pasta a vice-presidentes. O grupo inicial de quase duas centenas de impedidos baixou progressivamente. E, quase na ponta final, só 11 beneficiaram da decisão do Tribunal Constitucional (TC) que autorizou candidaturas a outras câmaras.

É, portanto, num contexto de renovação forçada de quadros políticos, sem precedentes, que as autárquicas se realizam. Num universo que ganhou fama - e proveito - de ser terreno de "dinossauros", a mudança não é de somenos. Até porque ocorre em municípios e freguesias, cujo número foi reduzido em mais de mil. Neste plano, é certo, o TC também "salvou" um punhado de autarcas. Trata-se, todavia, de casos residuais.

Mais coligações

O aumento exponencial do número de candidaturas independentes (ler caixa) é uma das marcas destas eleições. A outra são as alianças. Só no patamar municipal, apresentam-se, com as mais diversas configurações, 119 (ver infografia), mais 48 do que em 2009. A maioria esmagadora (99) é encabeçada pelo PSD, que em 72 tem o CDS/PP por companhia.

Os centristas, que reduziram em apenas três o número de candidaturas autónomas, integram mais de uma centena de coligações. Quatro delas são absolutamente inéditas: o CDS/PP surge à cabeça. O partido declarou, ainda, apoio a oito grupos de cidadãos (Almodôvar, Covilhã, Aguiar da Beira, Marco de Canavezes, Porto, Grândola, Santa Cruz e S. Vicente).

O PS, que tomou a mesma atitude naqueles dois casos, abdicou de candidaturas a favor de independentes em mais dois (Aguiar da Beira e Oleiros). Como partilha o símbolo nas duas alianças, firmadas no Funchal e em Câmara de Lobos, é "campeão" de listas próprias.

A vaga de coligações também reduziu, em 36, o número de candidaturas sociais-democratas. O PSD não disputa eleições em Barrancos, Grândola, Belmonte e Góis, apoiando listas independentes nestes dois concelhos.

A CDU só não está presente em dez concelhos açorianos, enquanto o Bloco de Esquerda concorre apenas a 112 municípios (133 em 2009). Os independentes em Amares, Braga, Fafe, Belmonte, Coimbra e Santa Cruz contam com apoio bloquista.

Partidos como o MPT e o PPM integram coligações com outros, de maior dimensão. MRPP e Partido Nacional Renovador concorrem isolados a algumas câmaras. Novidade é a presença de listas do Partido pelos Animais e pela Natureza e do Portugal Pró-Vida.

PAULO MARTINS