O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou, esta quarta-feira, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, nada fez de grave e afirmou que nunca aceitaria a sua demissão nesta circunstância.
"Mesmoque o ministro, por qualquer razão, tivesse sentido necessidade desair do Governo - que não foi o caso, mas suponha que isso poderiaaté acontecer -, nunca aceitaria numa circunstância destasoficializar um problema na relação bilateral com um país tãoimportante para os portugueses e para Portugal como é Angolaaceitando a demissão do ministro", afirmou Passos Coelho.
"Portanto,isso está fora de causa, nem há, na circunstância que motivou acrítica que lhe foi dirigida, nada de grave que me levasse aconsiderar uma circunstância dessas", acrescentou oprimeiro-ministro, em resposta ao jornalista Carlos Daniel, no finaldo programa da RTP "O País Pergunta", um formato em que 20cidadãos foram selecionados para lhe colocar questões.
SegundoPassos Coelho, nem aquilo que Rui Machete disse à Rádio Nacional deAngola sobre processos judiciais que envolvem angolanos nem a omissãodas ações que deteve na Sociedade Lusa de Negócios (SLN)constituem um comportamento "grave" da parte do ministro deEstado e dos Negócios Estrangeiros.
"Nenhumde nós está livre de ter uma explicação menos feliz. Não podemser matérias graves. Ora, não há nada de grave que nocomportamento do doutor Rui Machete ponha em causa nem acredibilidade do Governo nem, muito menos, do Estado português",considerou.
No casodas declarações sobre processos judiciais que envolvem angolanos, ochefe do executivo PSD/CDS-PP advogou que "aquilo que ele fezcomo ministro dos Negócios Estrangeiros foi procurar apaziguaralguma relação" com um país "muito importante" emtermos de relações bilaterais e "um país irmão de Portugal,que é Angola".