Educação

Fenprof satisfeita com decisão de Bruxelas sobre docentes contratados

Mário Nogueira satisfeito com decisão de Bruxelas Miguel Silva/Global Imagens

A Federação Nacional dos Professores manifestou, esta quarta-feira, satisfação com a decisão da Comissão Europeia que insta Portugal a pôr fim ao "tratamento discriminatório" dos professores contratados, lembrando as várias iniciativas que desenvolveu junto de instâncias internacionais.

A ComissãoEuropeia instou, esta quarta-feira, Portugal a pôr fim ao"tratamento discriminatório" dos professores que trabalhamcom contratos a termo nas escolas públicas, ameaçando recorrer parao Tribunal de Justiça da União Europeia caso tal não suceda.

Emdeclarações à agência Lusa, o secretário-geral da Fenprof, MárioNogueira, afirmou que vê a decisão com "enorme satisfação egrande expectativa".

Oexecutivo comunitário exortou o Estado português a "rever ascondições de emprego dos professores com contrato a termo"depois de ter recebido "um grande número de queixas",alegando que professores que trabalham nesta situação "sãotratados de forma menos favorável do que o pessoal efetivo comfunções equivalentes".

Emespecial, sublinha Bruxelas, os professores em causa "estão aser empregados ao abrigo de contratos de trabalho a termo sucessivosdurante muitos anos, o que os coloca em situação de empregoprecário, apesar de exercerem essencialmente funções de pessoalefetivo" e "o direito nacional não prevê medidas eficazescom vista a evitar tais abusos".

Alémdisso, estes docentes "recebem um salário inferior ao que éauferido pelo pessoal efetivo com experiência profissionalequivalente", uma situação que, segundo a Comissão, écontrária à diretiva (lei comunitária) relativa aos contratos detrabalho a termo.

Anotificação hoje enviada para Lisboa constitui o segundo passo deum processo de infração movido pela Comissão Europeia contra umEstado-membro e o último antes de um eventual recurso perante oTribunal de Justiça da União Europeia, o que, neste caso, adverteBruxelas, poderá acontecer dentro de dois meses, se durante esteprazo Portugal não notificar a Comissão das medidas tomadas "parase conformar plenamente com o disposto na diretiva".

"AFenprof trouxe para a mesa da discussão pública a questão dadiretiva comunitária que não estava a ser cumprida", recordouMário Nogueira.

Além dasações encetadas por professores a título individual ou com o apoioda Associação dos Professores Contratados, a federação moveutambém ações em tribunal desde dezembro sobre esta matéria, tantonos tribunais nacionais como nas instâncias europeias.

"É oreconhecimento de que em Portugal os docentes contratados são, defacto, discriminados", declarou.

Redação