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Catherine Ashton espera progressos nas negociações com a Ucrânia

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou, esta sexta-feira, que a União Europeia espera progressos nas negociações com a Ucrânia para a assinatura de um acordo de associação. A Ucrânia renunciou a assinatura do acordo, argumentando motivos económicos.

"Oestabelecimento do acordo está em aberto porque é muito importantepara a Ucrâniae muito importante para nós" disse Catherine Ashton à chegadaao centro de congressos e exposições Litexpo, que acolhe a terceiracimeira da União Europeia e da Associação Oriental.

A mesmaresponsável acrescentou que a União Europeia confia que poderá"avançar-se numa solução o mais depressa possível".

Nasvésperas da cimeira de Vilnius, a Ucrâniaanunciou a sua renúncia à assinatura do Acordo de Associação coma União europeia, decisão que argumentou com motivos económicos.

Bruxelasmantém, contudo, que a decisão ucraniana se deve a pressões daRússia, que advertiu que poderia tomar medidas protecionistas paraimpedir o acesso de produtos ao seu mercado.

Os lídereseuropeus não conseguiram persuadir o presidente da Ucrâniaa assinar um acordo político e comercial entre o país e a UniãoEuropeia (UE), disse a presidente da Lituânia, país onde decorreuma cimeira de dois dias.

Nasconversações com o presidente ucraniano Viktor Ianuokovych, "osargumentos da União Europeia não demoveram as suas posiçõesiniciais", declarou a presidente lituana Dalia Grybauskaite àagência de notícias francesa AFP.

De acordocom a chefe de Estado da Lituânia, o presidente da Ucrânianão falou nem do acordo nem da sua assinatura, mas apenas dosproblemas económicos do seu país.

"Elepretende que esses problemas sejam resolvidos em conjunto pela UniãoEuropeia e pela Rússia", acrescentou a presidente lituana.

Essaexigência já foi rejeitada pela EU, que defende que os acordos deassociação que estabelece são sempre bilaterais e nãotripartidos.

Na semanapassada, o Governo da Ucrâniadecidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo deassociação e de um acordo de comércio livre com a UE.

A oposiçãoacusou o Governo de ter cedido à pressão da Rússia, que tinhaclaramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordocom a UE.

Oprimeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, qualificou como "umaesmola para um mendigo" os 1.000 milhões de euros decompensação que a UE ofereceu a Kiev.

Por suavez, o Presidente ucraniano, Viktor Ianoukovitch, afirmou, naterça-feira, que o país iria esperar por melhores condições antesde considerar uma eventual assinatura de um acordo.

"Assimque atingirmos um nível que seja confortável para nós, quandocoincidir com os nossos interesses, quando concordarmos sobre ascondições normais, então poderemos falar da assinatura" dodocumento, disse então o chefe de Estado ucraniano, numa entrevistatransmitida pelos canais de televisão do país.

Já hoje,o comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fule, rejeitou osargumentos sobre os elevados custos para a economia ucranianaapresentados pelas autoridades de Kiev para não assinarem o acordode associação com a União Europeia (UE).

"Asalusões aos eventuais enormes prejuízos para a economia ucranianasão infundadas e pouco convincentes", afirmou Fule, emdeclarações à agência russa Interfax, antes do início emVilnius, Lituânia, da cimeira da Parceria Oriental da UE.

Ocomissário europeu admitiu ter dúvidas sobre a veracidade dos dadossobre os prejuízos que poderão provocar as medidas protecionistasque a Rússia ameaça impor se Kiev avançar com o acordo com os 28Estados-membros.

"Ultimamentedeparei-me com muitos números fantasiosos que interpretei como umsinal de pânico. Já no primeiro ano da aplicação preliminar doacordo de livre comércio, os exportadores ucranianos pouparam emtaxas 500 milhões de euros e o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu6,2% a longo prazo", salientou o representante comunitário.

Redação