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EUA pedem à Rússia para "manter promessa" em relação à Ucrânia

YANNIS BEHRAKIS/REUTERS

O secretário de Estado norte-americano exortou a Rússia a "manter a promessa" sobre a integridade territorial da Ucrânia, após os confrontos na Crimeia (sul) entre manifestantes pró-russos e apoiantes das novas autoridades ucranianas.

"Afirmamos claramente que todos os países devem respeitar a integridade territorial, a soberania da Ucrânia. A Rússia disse que faria isso e pensamos que é importante que a Rússia mantenha a promessa", afirmou John Kerry, em declarações à estação norte-americana MSNBC.

O chefe da diplomacia norte-americana negou ainda que Washington tenha interferido nos assuntos internos de Kiev ou que esteja à procura de uma "confrontação" com Moscovo na crise ucraniana.

"Não precisamos neste momento de envolvermo-nos num conflito ao estilo da antiga Guerra fria", garantiu Kerry.

Durante os últimos dias, Washington tem assumido um tom apaziguador em relação à posição russa na crise ucraniana, afirmando que não se deve olhar para a situação como uma oposição "entre ocidente e leste, Estados Unidos e Rússia".

"A chave para este assunto é dar ao povo ucraniano um amplo espaço no qual os ucranianos podem tomar decisões sobre o caminho que querem tomar", disse o secretário de Estado norte-americano, cuja administração apoia as aspirações europeias de uma parte do povo ucraniano.

"Não devemos pressioná-los (...). Tentamos honrar o seu desejo de formar um governo democrático e pluralista que rompa com a cleptocracia [sistema político que admite a corrupção] que se vivia" naquele país, acrescentou Kerry.

Breves confrontos opuseram, esta quarta-feira, manifestantes pró-russos e apoiantes das novas autoridades ucranianas em Simferopol, a capital da república autónoma da Crimeia.

Mais de cinco mil pessoas concentraram-se em frente ao parlamento da Crimeia, tártaros de um lado, em maior número, pró-russos do outro, segundo noticiou a agência de notícias francesa, AFP.

Os tártaros, uma comunidade local de tradição muçulmana instalada desde o século XIII na Crimeia, deportados na Sibéria e na Ásia Central durante a liderança de Estaline, e depois regressados à Crimeia após a queda da União Soviética em 1991, representam hoje 12 por cento dos dois milhões de habitantes da península. Apoiaram ativamente a contestação anti-Ianukovich na Ucrânia.

A Crimeia, era considerada pela União Soviética como parte da Rússia, mas foi anexada à Ucrânia em 1954 e continua a albergar a frota naval russa do Mar Negro na cidade portuária de Sebastopol.

Redação