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Universitários da Venezuela pedem a Portugal "pronunciamento de solidariedade"

Mais de mil estudantes universitários marcharam, esta quinta-feira, até ao Consulado Honorário de Portugal em Barquisimeto, no estado venezuelano de Lara (400 quilómetros a oeste de Caracas) para pedir um "pronunciamento de solidariedade" do Governo português.

"Entregámos um documento ao cônsul Pedro Ferreira, solicitando a Portugal e à União Europeia que se pronuncie sobre a violação dos Direitos Humanos na Venezuela", explicou por telefone um estudante à Agência Lusa.

Segundo este luso-descendente, a entrega do documento foi feita por uma comissão composta por quatro estudantes, dois rapazes e duas raparigas.

Contatado telefonicamente pela Agência Lusa, o cônsul honorário de Portugal confirmou ter recebido o documento, sublinhando que o mesmo tinha sido remetido para a Embaixada de Portugal em Caracas, mas sem avançar quaisquer pormenores sobre o seu conteúdo.

"Eles estiveram cá, com muitas bandeiras venezuelanas e algumas portuguesas, entregaram o documento e foram embora", disse.

A 11 de março último, dezenas de opositores, entre eles vários portugueses e luso-descendentes, marcharam até ao Consulado Geral de Portugal em Caracas, onde entregaram um documento pedindo também "um pronunciamento de solidariedade" do Governo português para com o povo venezuelano.

O documento, segundo o presidente da Câmara Metropolitana de Caracas, o opositor António Ledezma, continha "um relatório de todas as coisas que têm acontecido em matéria de repressão e de violação dos direitos humanos" no país.

"Nós não estamos pedindo nenhuma intervenção de nenhum governo, estamos em frente do Consulado de Portugal porque a Venezuela recebeu, com os braços abertos, milhares de mulheres, de homens portugueses, que criaram raízes, que têm filhos e criaram netos, e esses descendentes de portugueses também sofrem hoje os embates deste mau governo", enfatizou.

Desde há mês e meio que em várias regiões da Venezuela, se registam diariamente protestos contra a insegurança, a escassez de produtos, contra a repressão policial e pela libertação de presos políticos.

Promovidos pacificamente estes protestos têm desencadeado situações de violência que já ocasionaram pelo menos 35 mortos e avultados danos materiais.

O Governo venezuelano tem insistido que está em curso um "golpe de Estado continuado" contra o Presidente Nicolás Maduro.

Redação