Mundo

Kumba Ialá vai ser sepultado sexta-feira

O ex-presidente da República da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, vai ser enterrado na sexta-feira com honras de Estado, 21 dias depois de ter morrido de doença súbita.

A famíliaanunciou que o antigo líder queria ser sepultado só "depois davitória" do candidato (Nuno Nabian) que apoiava nas eleiçõespresidenciais a 13 de abril, mas já não vai aguardar pela segundavolta, a 18 de maio.

Pordecisão da família, o corpo sairá da morgue do Hospital Militar deBissau às primeiras horas de sexta-feira para a casa onde Ialámorava, no Bairro Internacional, para uma cerimónia "estritamentefamiliar" e às 10.40 horas seguirá para a sede do Partido daRenovação Social (PRS).

KumbaIalá, que se tornou conhecido pelo seu barrete vermelho, vai serhomenageado durante a manhã, primeiro na sede do partido que fundoue depois, a partir das 12.50 horas, na Assembleia Nacional Popular.

Após umcortejo fúnebre que vai atravessar o centro da capital, o antigopresidente guineense vai ser sepultado na Fortaleza da Amura, localonde jazem outros líderes guineenses, numa cerimónia marcada paraas 16 horas.

Kumba Ialápertencia à etnia Balanta, da qual faz parte um terço da populaçãoda Guiné-Bissau assim como a maioria do efetivo das forças armadas,junto das quais sempre demonstrou ter grande influência.

Poucashoras depois da morte, o médico e sobrinho que o assistiu, MartinhoNhanca, disse que o ex-presidente lhe tinha pedido para só serenterrado "depois da vitória de Nuno Gomes Nabian",candidato presidencial que Ialá apoiava na campanha para as eleiçõesgerais de 13 de abril.

Questionadosobre a possibilidade de Nabian não vencer, o médico foiperentório: "Vai ganhar. Morre o Kumba Ialá, outro Kumba Ialáestá de pé".

"quelasdeclarações seguiram-se apelos de várias individualidades para quea morte do antigo chefe de Estado não fosse politizada.

O corpoainda esperou pela primeira volta, mas o funeral vai acabar por serealizar antes da segunda ronda das eleições presidenciais que sóvai acontecer a 18 de maio entre o candidato mais votado, José MárioVaz, apoiado pelo PAIGC, e Nuno Nabian.

Váriasfontes familiares referiram aos jornalistas na manhã de 04 de abril,à porta da residência de Kumba Ialá, no Bairro Internacional deBissau, que o ex-presidente morreu de crise cardíaca.

Segundodescreveram, sentiu-se mal quando regressou a Bissau depois de terparticipado numa ação de campanha no dia anterior e viria a falecerdurante a noite.

MartinhoNhanca remeteu esclarecimentos sobre as causas da morte para maistarde, mas não revelou mais pormenores.

Opresidente da Associação dos Retalhistas dos Mercados daGuiné-Bissau, Aliu Seidi, apelou aos comerciantes de Bissau para nãoabrirem as lojas na sexta-feira "em sinal de recolhimento"pela memória de Kumba Ialá.

Aliu Seidilembrou que em ocasiões semelhantes de funerais de ex-presidentes(Nino Vieira, Malam Bacai Sanhá e Henrique Rosa) os comerciantesfecharam os estabelecimentos.

Redação