Especialistas em cancro de pele defenderam, esta quarta-feira, a notificação obrigatória de todos os casos de cancro cutâneo, para se conhecer com rigor a sua incidência, que se estima ser de 11 mil novos casos em Portugal em 2014.
Alémdestes, estima-se ainda que surjam este ano mil novos casos demelanoma, a forma mais grave e mais mortal de cancro, e que esteja aaumentar incidência dos vários tipos de cancros de pele em todo omundo.
Estesvalores baseiam-se na extrapolação de dados internacionais e dealgumas amostras, já que existe uma "subnotificação emoncologia cutânea", disse o secretário-geral da AssociaçãoPortuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), Osvaldo Correia, defendendo a"obrigatoriedade da notificação automática".
"Asubnotificação existe em vários cancros, mas nos de pele é aindamais evidente. Alguns são por amostra ou extrapolação. Sãoseguramente mais de dez mil. Por amostragem, só basocelulares são11 mil, forma os espinocelulares", disse, durante a apresentaçãodo programa do "Dia do Euromelanoma", que se assinala a 14de maio.
Existemquatro tipos principais de lesão: o carcinoma basocelular, aqueratose actínica, o carcinoma espinocelular e o melanoma.
"Comonão são causa de morte, não são de notificação obrigatória",explicou, considerando contudo que, pelo menos, o melanoma deveriater notificação obrigatória, já que em fases muito avançadaspode causar a morte.
Oresponsável lembrou, no entanto, que existem 10 a 11 vezes maiscasos de outros cancros de pele do que melanoma e que o custo detratamento de cancros cutâneos não melanoma ultrapassa o domelanoma.
"Deviahaver registo, somos a favor do registo obrigatório dehistopatologia", frisou.
Outrapreocupação desta associação prende-se com o "direito aoacesso destes doentes a tratamentos e medicamentos".
"Hánovos fármacos e é preciso comparticipação para eles. Estesdoentes devem ser tratados, mas o acesso aos novos fármacos emoncologia é um problema que não é só nosso, é um problemainternacional", lamentou.
Noentanto, o médico sublinha que o principal é a prevenção primáriae o diagnóstico precoce.
"Odiagnóstico precoce é a cura do problema. O diagnóstico tardio éa morte do paciente", afirmou.
Tendopresente esta realidade, a APCC realiza no dia 14 de maio em diversosserviços de dermatologia - que podem ser consultados nas páginaswww.apcancrocutaneo.pt e www.euromelanoma.org/portugal - de todo opaís rastreios dos vários tipos de cancro de pele.
Estesrastreios dirigem-se particularmente a pessoas de pele clara oupropensa a queimaduras, adultos que sofreram queimaduras solares nainfância ou juventude, pessoas que passam demasiado tempo expostosao sol, ou expostos a sol intenso e em períodos curtos de tempo, quefrequentam solários, que tenham mais de 50 sinais na pele, comantecedentes familiares de cancro cutâneo e transplantados deórgãos.