Educação

Educação sexual nas escolas está a desmotivar alunos e professores

Educação sexual está a desmotivar alunos e professores Global Imagens/Arquivo

Os alunos das escolas portuguesas criticaram a forma "idêntica e sem progressão" de apresentação de matérias relacionadas com a educação sexual, revelando, num estudo dedicado a avaliar a implementação do tema em meio escolar, "algum cansaço" pela repetição anual.

De acordo com o mesmo estudo, os alunos do ensino secundáriogostariam ainda de estar mais envolvidos nas atividades relativas àeducação sexual nas escolas, manifestando disponibilidade paraserem "mentores, em atividades informativas e formativas comcolegas mais novos".

O estudo pretendeu ser uma avaliação, a cargo da SociedadePortuguesa de Psicologia da Saúde, da implementação em meioescolar da educação sexual, tal como legalmente definido por umalei de 2009 e pela portaria que a regulamenta, publicada em 2010.

O estudo consistiu na aplicação de inquéritos à comunidadeescolar, representada pelas direções das escolas e agrupamentospúblicos, pais e encarregados de educação, professores eassistentes operacionais, e representantes dos alunos, com o objetivode fazer uma análise quantitativa e qualitativa da aplicação dalei nas escolas.

Professores sobrecarregados e desmotivados

Do ponto de vista qualitativo, os professores "consideraram-semuito sobrecarregados, muito pouco valorizados e muito poucoreconhecidos nos seus esforços", e lamentaram ter que recorreraos tempos das aulas curriculares para cumprir a lei, criticandoainda o facto de a abordagem destas matérias se fazer sobretudo noâmbito das disciplinas de Ciências Naturais e Biologia, o que nocaso dos alunos do ensino secundário, exclui os alunos dosagrupamentos artísticos, de humanidades ou área económica doacesso à educação sexual, por não terem estas disciplinas nocurrículo.

"Alunos, professores e pais sugeriram uma progressão naabordagem deste tema, ao longo dos vários ciclos de aprendizagem,sugerindo ainda uma monitorização que garanta que o assunto não secentre unicamente nos aspetos biológicos da reprodução e nasinfeções sexualmente transmissíveis", refere-se nosresultados do estudo qualitativo.

O estudo revela que a grande maioria das escolas considera que aimplementação da educação sexual nas escolas é "boa oumuito boa", estando a ser cumprida "na íntegra" acarga horária definida na lei para a educação sexual.

Gabinete apoia alunos

No estudo participaram 428 agrupamentos e escolas secundárias nãoagrupadas, distribuídas por todo o país, que correspondem a 53% dasescolas públicas.

"Nas 428 unidades orgânicas que participaram no estudolecionam 60 595 professores e frequentam 617 701 alunos de todos osníveis de ensino, na sua maioria de nacionalidade portuguesa(96,8%)", lê-se no relatório das conclusões.

"A maioria dos Conselhos de Turma tem um professorresponsável pelo projeto de educação sexual (72,0%) e apresentaanualmente um projeto de turma nesta área (65,7%) que é revistopelo coordenador de educação para a saúde (85,7%)", adianta oestudo.

Na maioria das escolas (82,2%) "há garantias de que todos osalunos tiveram educação sexual nos últimos três anos. No entanto,a avaliação dos conhecimentos adquiridos é efetuada na sua maioria(59,8%) apenas pelo apuramento da percentagem de alunos queassistiram às atividades", acrescenta-se.

O acesso à educação sexual nas escolas foi também reforçadoatravés dos Gabinetes de Apoio ao Aluno, que os diretores consideramter uma boa ou muito boa implementação nas escolas que dirigem,estando na maioria dos casos (85%) articulados com os centros desaúde locais, com os quais desenvolvem atividades em conjunto.

Redação