O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciou este domingo que pediu a demissão do Governo, que foi aceite pelo primeiro-ministro. Macedo considerou que a sua autoridade enquanto governante ficou diminuída com o envolvimento de pessoas que lhe são próximas nas investigações da Operação Labirinto. Conheça as reações a esta demissão.
PS
O PS considerou que a lucidez do ministro da Administração Interna ao pedir a demissão do cargo contrasta com a "falta de lucidez" do primeiro-ministro e de outros governantes, como os ministros da Justiça e Educação.
Esta posição foi transmitida pelo vice-presidente da bancada socialista Marcos Perestrello, após o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, ter anunciado a sua demissão do Governo, alegando que a sua autoridade ficou diminuída com o envolvimento de pessoas que lhe são próximas nas investigações da Operação Labirinto, que visam alegados casos de corrupção na atribuição de vistos 'gold'.
"Cabe salientar o contraste entre a lucidez do ministro Miguel Macedo com a falta de lucidez quer do primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho], quer de outros membros do Governo. A lucidez política que o ministro Miguel Macedo teve ao perceber que não tinha condições para continuar a exercer o seu mandato contrasta com a falta de lucidez política do primeiro-ministro, que, numa primeira fase, entendeu que havia condições para que Miguel Macedo continuasse a exercer funções governativas", declarou Marcos Perestrello, também líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.
Marcos Perestrello salientou que o primeiro-ministro "pediu" a Miguel Macedo que "ponderasse se realmente queria cessar as suas funções".
"Essa falta de lucidez política transmite-se a outros membros do Governo, que também não têm condições políticas para exercer as suas funções, casos dos ministros da Educação [Nuno Crato] e da Justiça [Paula Teixeira da Cruz]", sustentou o vice-presidente da bancada socialista.
Perante os jornalistas, Marcos Perestrello considerou que o executivo PSD/CDS "está há já muito tempo ligado à máquina e não tem condições para continuar a exercer condignamente as suas funções".
"Provavelmente, justifica-se aquilo que o PS tem vindo a dizer sobre a necessidade de se ponderar a realização de eleições legislativas [antecipadas], tendo em vista criar as condições para os consensos que a sociedade portuguesa necessita", referiu.
PCP
O PCP afirmou, este domingo, que a demissão do ministro da Administração é insuficiente porque "as consequências políticas" do caso dos vistos dourados "são mais profundas", defendendo que o Presidente da República deve demitir o Governo e convocar eleições.
Em declarações à Lusa, o líder parlamentar comunista, João Oliveira, considerou que Portugal vive num ambiente de "degradação das instituições políticas", com "um Governo já sem qualquer credibilidade e sem legitimidade", o que "exige que o Presidente da República retire consequências políticas deste caso", demitindo o executivo e convocando eleições.
BE
O BE afirmou que a demissão do ministro da Administração Interna comprova a necessidade de extinguir os vistos "gold" e insistiu que Paulo Portas deve "responder por uma medida" que apenas trouxe "negócios escuros" ao país.
"Achamos que a saída do ministro Miguel Macedo é normal em democracia e era esperada, o que só contrasta, para vergonha da ministra da Justiça e do ministro da Educação, com outras demissões que ficaram por fazer", considerou, em declarações à agência Lusa, o dirigente bloquista Jorge Costa.
APG
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) viu "com bons olhos" a demissão do ministro da Administração Interna Miguel Macedo que, de acordo com o presidente daquela estrutura, "nunca nada fez, nem quis fazer" em relação aos problemas da GNR.
César Nogueira recordou que a APG, maior associação profissional da GNR, "há muito vinha a pedir a demissão [de Miguel Macedo], por outros motivos". "Por uma questão de amuo o ministro não nos recebia, delegando a tarefa no Secretário de Estado, mas recebia as associações mais pequenas", relatou.
César Nogueira insistiu que, "dos anseios dos profissionais", Miguel Macedo, "nada resolveu", recordando que o agora ex-ministro "nunca falou" nas duas grandes manifestações de polícias, que, para a APG "não lhe podiam passar ao lado".
PSD
O PSD considerou que Miguel Macedo revelou "imensa dignidade" ao demitir-se de ministro da Administração Interna por entender que tinha a sua autoridade diminuída, recusando fazer comparações com as situações de outros ministros.
"É, sublinho, uma atitude que revela uma imensa dignidade da parte do doutor Miguel Macedo", declarou o vice-presidente do PSD e deputado José Matos Correia, em declarações aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa.
Questionado se o PSD considera que há outros ministros que têm a sua autoridade diminuída, Matos Correia acusou a oposição, em especial o PS, de misturar "algos com bugalhos" e recusou comparações: "A situação do doutor Miguel Macedo foi gerada por um caso concreto, uma circunstância de que todos temos conhecimento. Não tem nenhuma relação com outro tipo de situações que dizem respeito a outros membros do Governo".
O social-democrata manifestou "confiança na capacidade do primeiro-ministro", para decidir sobre a composição do executivo PSD/CDS-PP na sequência da demissão de Miguel Macedo. "Sempre que houve necessidade de substituir membros do Governo, o presidente do partido e primeiro-ministro fê-lo com sabedoria e com eficácia", defendeu.
ASPIG
A Associação Sócio-ProfissionalIndependente da Guarda (ASPIG) sentiu-se defraudada pelo ex-ministroMiguel Macedo por, enquanto titular da pasta da AdministraçãoInterna, não ter resolvido os problemas da GNR.
A ASPIG sustenta que "ao invés,tudo se traduziu em expetativas, intencionalmente adiadas,permitindo, com isso, que as alterações ao Estatuto e Lei Orgânicada GNR, tantas vezes prometidas, se mantivessem, até hoje, "na'gaveta'".
A associação lamenta ainda que areativação da Brigada de Trânsito e da Brigada Fiscal da GNR,"tantas vezes anunciada", bem como a regulamentação dohorário de trabalho de referência dos militares da GNR "nãopassaram de promessas para", acredita a ASPIG, "apaziguar a'revolta' dos militares e garantir a permanência do ministro compasta da Administração Interna".
ANSG
A Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) manifestou esta segunda-feira preocupação e apreensão.
"A ANSG espera que o ministro escolhido possa sarar as feridas provocadas pelos ataques à autoridade das polícias e à dignidade das mulheres e dos homens que servem na Guarda Nacional Republicana, sem olhar aos estigmas do politicamente correto", refere a associação que representa os sargentos da GNR, em comunicado.