Economia

Estado não pode manter compromisso assumido com pensões há 20 anos

Hélder Rosalino tomou posse como novo administrador do Banco de Portugal no ministério das Finanças, em Lisboa, 10 de setembro de 2014 PEDRO NUNES/LUSA

O ex-secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, afirmou, esta quarta-feira, que o Estado "não tem capacidade [financeira] para manter compromissos assumidos" há 20 anos, defendendo a reforma do regime de previdência da função pública.

"Os recursos são escassos e estamos a ser forçados a deslocar parte dos recursos para a área das pensões", afirmou Hélder Rosalino, no Porto, no âmbito de um debate organizado pelo Instituto da Defesa Nacional (IDN) sobre o tema "Que Estado queremos?".

Segundo o ex-governante, "a dívida implícita do sistema de pensões é muito grande e estudos recentes indicam que a despesa com as pensões vai crescer até 2040".

Na sua opinião, o debate sobre a sustentabilidade da Segurança Social tem que ser feito e deve envolver todos os partidos políticos.

Helder Rosalino referiu que a solução "envolve escolhas" entre "manter compromissos assumidos no passado ou apostar em políticas públicas que olhem para o futuro do país".

"Hoje percebemos que decisões tomadas há 20 anos revelam-se insustentáveis", disse, "as nossas receitas fiscais estão num nível dificilmente ultrapassável e as despesas são rígidas".

O administrador do Banco de Portugal não tem dúvidas de que "o défice anual da Caixa Geral de Aposentações (CGA) vai ter de ser financiado", ou "através da dívida pública, e Portugal não tem muito espaço para a aumentar, ou através da transferência de recursos de outras áreas do Estado para esta".

Rosalino lembrou que "60% da despesa do Estado está afeta ao pagamento de pensões e salários do Estado".

O deputado socialista João Galamba afirmou que a crise da sustentabilidade da Segurança Social "foi causada pelo custo resultante do desemprego e da redução das contribuições".

"Sim, há um problema com as pensões, mas não, o problema não é com a despesa", frisou.

O antigo ministro da Economia Daniel Bessa também considerou que "o maior problema do ponto de vista estratégico é o sistema de pensões".

Já Maria João Carioca, administradora da Caixa Geral de Depósitos, considerou que o "Estado está refém de um sistema político muito ideológico", adiantando que "há um caminho muito grande a fazer na despesa, no como é gerida a máquina".

Na sua opinião, a maior ameaça à soberania é a dependência económica criada, sendo o papel fundamental do Estado o "assegurar a soberania".

Redação