O caso BES

Ex-diretora do BES acreditou "até ao fim" na viabilidade do banco

A ex-diretora do BES Isabel Almeida disse, esta terça-feira, que acreditou "até ao fim" na "viabilidade" do banco, declarando ter mantido sempre um "espírito de colaboração" com auditores, supervisores e a administração do Novo Banco.

"Nunca desistimos e lutámos até ao limite das nossas capacidades pela sobrevivência do BES", sublinhou a antiga diretora do Departamento Financeiro, de Mercados e Estudos do Banco Espírito Santo (BES) na comissão de inquérito à gestão do banco e do Grupo Espírito Santo (GES).

A responsável aproveitou a sua intervenção inicial para elogiar os 130 profissionais do departamento financeiro que geria e acrescentou: "Não abandonei o banco nem a equipa mesmo quando sobre mim caíram as maiores calúnias e o meu nome foi difamado na praça pública".

Na sua intervenção inicial perante os deputados, de cerca de 15 minutos, Isabel Almeida traçou uma cronologia do seu percurso profissional e reconheceu que o seu "primeiro impulso" quando se deu a queda do BES foi falar à comunicação social e dar a sua "versão dos factos", salvaguardando a sua imagem, mas preferiu fazê-lo hoje na sua plenitude no parlamento.

Silêncio sobre Eurofin

No início da audição, o presidente da comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES), Fernando Negrão (PSD), informou que a ex-diretora da área de mercados do banco Isabel Almeida pretende "falar o mais possível", mas com "algumas limitações".

Por ser arguida num processo de contraordenação instaurado pelo Banco de Portugal e num processo-crime pelo Ministério Público, Isabel Almeida não falará sobre a Eurofin, nem sobre a colocação de obrigações, disse Fernando Negrão.

"O segredo de justiça existe, existindo é para ser cumprido", afirmou o deputado social-democrata.

A Eurofin, liderada por Alexandre Cadosch e com sede na Suíça, é um intermediário financeiro que conduziu operações que causaram prejuízos ao BES, com papel destacado na crise do grupo.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro passado e tem um prazo total de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".

Redação