O secretário-geral do PS considerou esta quinta-feira que uma privatização da TAP com um encaixe financeiro muito baixo seria "a cereja em cima do bolo" sobre a forma "altamente negativa" como o atual Governo tem conduzido este processo.
António Costa falava aos jornalistas no final de uma conferência sobre "Políticas públicas em 2015", no ISCTE, em Lisboa, depois de confrontado com a possibilidade admitida na quarta-feira pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de privatizar a TAP mesmo que as propostas financeiras dos potenciais compradores sejam consideradas baixas.
"Isso seria a cereja em cima do bolo para demonstrar a forma altamente negativa como o Governo conduziu todo este processo", contrapôs o secretário-geral do PS.
O secretário-geral do PS foi depois confrontado com outras afirmações proferidas por Pedro Passos Coelho também na quarta-feira, estas acusando o PS de "arrogância" em matéria de privatização da TAP.
"Nem sei como classificar as palavras do primeiro-ministro, porque o PS já se disponibilizou para um acordo sobre capitalização pública com autorização de Bruxelas, já se disponibilizou para apoiar a privatização parcial por via da dispersão em bolsa e já se disponibilizou para aceitar uma privatização até 49 por cento, mas o Governo recusou uma, recusou duas e recusou as três soluções, teimando concretizar uma solução que sabe que tem a discordância do PS, das estruturas sindicais e da generalidade dos portugueses", argumentou António Costa.
Para o líder socialista, o primeiro-ministro, ao dizer que a responsabilidade por não haver um amplo consenso no processo de privatização da TAP é do PS, "é porque está muito distraído".
"Ou então é porque o primeiro-ministro anda com um excesso de nervosismo que não lhe permite sequer estar atento, não ouvindo o que outros lhes dizem", acrescentou.