Uma das famílias ciganas de Coruche reuniu-se, ontem, com o presidente da Câmara e pediu desculpa pelos conflitos da passada semana, que culminaram com a destruição de um bar e com duas pessoas feridas. Os ciganos solicitaram ainda ao edil que os realojasse noutro local da vila, para não serem confundidos com outras famílias, que acusam da autoria dos distúrbios.
O pedido aconteceu algumas horas depois de mais um incidente nas ruas da vila. Anteontem, à noite, um elemento da comunidade cigana abordou e ameaçou um guarda da GNR, pondo-se depois em fuga. O indivíduo, conhecido da guarda, já foi identificado.
Este foi o único episódio a perturbar a paz das ruas da vila desde há uma semana. Mas contou Rafael Rodrigues, comandante dos Bombeiros, "a calma das pessoas é apenas aparente".
Há alguns anos a prestar ali serviço, o responsável garante que há uma grande diferença no comportamento dos moradores. "As pessoas estão na expectativa. E todos evitam falar nestes problemas", contou.
Um morador de Coruche, que não quis ser identificado, explicou, ao JN, que a expectativa das pessoas se deve a uma razão "Ninguém sabe o que poderá acontecer daqui a uns dias quando tudo parecer mais calmo e se, por acaso, o dispositivo policial vier a ser desmobilizado".
Dionísio Mendes, presidente da Câmara, mostra-se esperançado que a calma esteja a regressar para ficar. "O que aconteceu foi um episódio pontual", considera, sublinhando que o importante agora é "fazer com que as pessoas se sintam seguras no seu concelho".
Sobre os realojamentos, o edil explicou que os casos serão analisados em função das necessidades. "Os critérios já estão definidos pelo Instituto Nacional de Habitação (INH), entidade com a qual contamos vir, entretanto, a assinar um protocolo", explicou.
Dionísio Mendes contou ainda que depois de um levantamento já efectuado, os casos mais graves foram definidos, estando já prevista a construção de um edifício de dois andares, com quatro fogos. Para ali irão três a quatro famílias que residem, sem condições, na zona do antigo matadouro da vila.
"Ciganos ou não, o que vamos ter em conta são as necessidades efectivas. A lei tem que funcionar de igual forma para todos", defendeu.
Tiago Santos Parreira, da família cigana que pediu para ser realojada, mostrou-se convencido que a Câmara "vai compreender as nossas razões".
Segurança reforçada mantém-se
O reforço na segurança da vila de Coruche é para manter nos próximos tempos, assegurou, ao JN, fonte do comando distrital da GNR de Santarém. Aos 18 guardas do posto, juntou-se há uma semana, uma força de intervenção rápida, composta por militares do Regimento de Infantaria de Lisboa. Os guardas cobrem as zonas de Porto Alto, Samora Correia, Salvaterra de Magos, Benavente, Marinhais e o concelho de Coruche. "Ao contrário do que parece, as coisas ainda não acalmaram em Coruche", revelou a mesma fonte. Dionísio Mendes, presidente da Câmara, discorda. "Os ânimos serenaram e está tudo normal", considera o autarca, sublinhando que "falta apenas criar um reforço definitivo de guardas e manter uma força de intervenção apta a actuar para devolver a segurança aos moradores". Segundo o edil, "as pessoas querem sentir-se seguras". H.S.