2005

Primeiro bebé a entrar no "Contra-Informação"

Parece que foi ontem, mas a verdade é que o "Contra-Informação" - um programa da RTP onde várias personagens da vida quotidiana dos portugueses são satirizadas à medida que interferem com a "agenda" do dia - festeja hoje nove anos de existência.

Normalmente, são os políticos os mais visados pela causticidade da equipa da Mandala, a produtora responsável pela introdução e manipulação desses criativos bonecos em Portugal. E estão todos lá Santana Flopes, Dona Odete, Mário Só Ares, Major Valentão, Manuela É Canja, Furão Barroso, entre dezenas de visados. Basta porem o pé em "ramo verde" e logo ganham um lugar no programa.

Como prova dessa atitude mordaz, hoje à noite, em ambiente de festa de aniversário, é apresentado um novo boneco, que vai interpretar inicialmente o filho de Manuel Maria Sarilho. Chama-se "Bebé" e é o representante da figura pública mais imberbe de que há memória a entrar no panteão do "Contra".

E como é que um bebé , que mal balbucia a palavra "papá", teve já honras de "Contra"? A razão é simples ao usar a sua vida familiar em prol da campanha em que participa, as eleições autárquicas, o socialista Manuel Maria Carrilho lançou o peso da fama sobre o restante agregrado familiar, sobretudo pela sobeja contestação a esta opção de marketing político feita por Carrilho. Quando, daqui a uns meses, estiver olvidada toda a polémica à volta do filho de Carrilho, "Bebé" assumirá funções noutras situações cómicas, especialmente se houver outros políticos que optem pela exposição da família durante uma caça ao voto, avançou a produção.

Mas nem só de infantes se vai compor a noite de hoje, na "tenda das Arábias" montada no parque de estacionamento da RTP. Pelas 19 horas, cerca de 400 convidados vão participar na feitura de uma emissão do "Contra" e assistir a um espectáculo com as vozes do programa. Haverá ainda oportunidade para ver Francisco Louçã a receber em mãos o prémio de "Boneco do Contra do Ano". O prémio é ele próprio um boneco. Todos os dias cerca de 60 pessoas dedicam-se a montar as emissões de poucos minutos, antes do Telejornal. Cada boneco tem um custo aproximado de 10 mil euros. Tudo em nome da sátira democrática, iniciada em Abril de 1996.

Redação