A petição que reclama a redução do horário de trabalho para acompanhamento dos filhos até aos três anos ultrapassou sete mil assinaturas, desde que foi lançada, no sábado.
Iniciativa da Ordem dos Médicos, a petição pugna pela redução do horário de trabalho para um dos pais, até cada filho completar três anos, independentemente de a criança ser amamentada ou não.
Logo nas primeiras 24 horas, a petição atingiu as quatro mil assinaturas exigíveis, para que a proposta seja votada pelo Parlamento, e somava já sete mil ao início da tarde desta segunda-feira.
A redução do horário laboral em duas horas está já consagrada no Código de Trabalho, para efeitos de amamentação e até aos bebés terem um ano de idade, sendo que, a partir desse momento, as mulheres terão de fazer prova - por atestado - de que estão a amamentar.
"É uma medida positiva e de grande valor para a relação afetiva e para o desenvolvimento das crianças e isso está cientificamente demonstrado", afirmou à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, a propósito do lançamento da petição, indicando ainda que permite ultrapassar as dificuldades de certificar a amamentação por parte da mulher quando a criança faz um ano.
José Manuel Silva lembrou que a certificação da amamentação chegou a criar polémica e problemas em algumas instituições, com mulheres a serem forçadas a espremer os seios para mostrar que ainda amamentavam.
Contudo, o principal argumento para o lançamento desta petição respeita ao desenvolvimento emocional dos bebés e à convicção de que a relação precoce com os cuidadores "é absolutamente determinante para a construção da personalidade".
"Toda a intervenção que for feita de apoio à parentalidade tem repercussões a médio e longo prazo extremamente elevadas", refere Pedro Pires, da direção do Colégio de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Ordem.
Em declarações à Lusa, o especialista recorda que há muito que são conhecidas as vantagens emocionais de uma boa relação entre mãe, pai e bebé.
Além de ser "um investimento no desenvolvimento social e afetivo da criança", o bastonário dos Médicos refere a medida como um apoio à natalidade em Portugal, lembrando que "a baixa taxa de natalidade pode pôr em causa o futuro demográfico do país".