Trinta paragens separam a estação da Trindade, no Porto, da Póvoa de Varzim. Em breve, serão trinta e uma. Trinta e uma paragens num percurso de pouco mais de 20 quilómetros, numa linha de metro cuja principal função é responder, de forma eficaz, aos fluxos pendulares entre a casa e o trabalho. A Linha Vermelha do metro do Porto cumpre o seu papel, mas não o cumpre bem.
Às trinta estações existentes, a Empresa Metro do Porto acrescenta mais uma. O centro The Style Outlet, em Vila do Conde, que previa uma estação desde a sua abertura, vê a sua aspiração concretizada, contribuindo para isso com metade do investimento (de 1,2 milhões de euros). Nesta sociedade de consumo, talvez seja uma estação importante para a Linha Vermelha. É preciso, no entanto, encontrar uma solução para que o tempo de viagem entre as cidades do Porto e da Póvoa de Varzim não volte aos tempos do comboio a vapor. Uma década depois da inauguração, a Metro do Porto saberá, seguramente, encontrar uma saída limpa.
Hoje, os utentes da antiga Linha (de comboio) da Póvoa, demoram 53 minutos a fazer o percurso. Durante décadas, nas velhas automotoras, com lugares confortáveis e espaço entre cadeiras - os joelhos do viajante não tocavam sistematicamente nos do vizinho da frente - demoravam 57 minutos. O que ganharam? Muito pouco, perante a grandeza de um investimento de 400 milhões de euros. Há, é certo, uma maior frequência: em vez de um comboio por hora, têm quatro. Mas muito aquém da real meta de um transporte suburbano: rapidez. Algo que dificilmente chegarão a alcançar. Regressa-se ao princípio, ao dia em que alguém decidiu: a linha da Póvoa - modernizada, como linha dupla e eletrificada - será um prolongamento do metro do Porto.
E os utentes continuarão a penar, nas horas de ponta, como sardinha em lata, uma viagem de pé, a acelerar (nunca muito) e a abrandar logo a seguir, porque alguém concebeu um transporte urbano com estações separadas por menos de um quilómetro.
Dentro em breve, uma nova paragem. Mas aqui há justificação. O Style Outlet é visitado por 4,3 milhões de pessoas todos os anos e nessa estrutura trabalham mais de mil. Uma passadeira rolante, a partir da estação de Modivas Centro, resolveria certamente o problema. Mas não era a mesma coisa.
* EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA