A aplicação da tecnologia à melhoria das condições de vida dos cidadãos foi a proposta deixada por Manuel Castells, na terceira edição das conferências de Gaia. Subordinadas ao tema "Uma cidade inteligente num mundo global e em rede", realizaram-se, este sábado, nas Caves Ferreirinha, em Via Nova de Gaia.
"A capacidade de criar novas ideias, que melhorem a qualidade de vida, são a grande mais valia que a Internet e a tecnologia podem trazer às cidades", disse o professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia. A crise urbana, ecológica e de representação apenas será ultrapassada "quando as pessoas foram levadas em conta".
O melhor aproveitamento do potencial da "economia de partilha" foi um dos desafios lançados à plateia, com cerca de duzentas pessoas. "Os bancos de tempo, a partilha de transporte e de habitação, são exemplos que nasceram dos cidadãos e que devem ser encarados com muita atenção pelos municípios", referiu, apontando que a aposta na formação será essencial: "A formação ao longo da vida é um aspeto essencial. Uma sociedade sem conhecimento é uma sociedade cega".
As políticas locais como resposta ao fenómeno Trump
Os municípios e as políticas locais "são cada vez mais importantes", numa sociedade em que os cidadãos se "sentem menos representados". "É esta invisibilidade que levou ao surgimento do fenómeno Trump e ao crescimento de movimentos mais conservadores na Europa", explicou o cientista social.
As Conferências de Gaia são uma iniciativa organizada pelo JN e pela Autarquia de Gaia e regressam em 2017.