2007

Angola Exoficiais do exercito da UNITA convocam manifestacao para reclamar as suas pensoes

Luanda, 14 Jun (Lusa) - Um grupo de ex-oficiais da UNITA convocou para o próximo dia 22 uma manifestação de protesto pelo não pagamento, desde há cinco anos, das pensões prometidas aos efectivos que passaram à reserva.

Em carta enviada ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, a que a Agência Lusa teve hoje acesso, os 24 oficias subscritores referem que a atitude das autoridades poderá ser uma penalização devido a "ódios do passado".

"Estamos a sofrer penalizações sistemáticas do passado. Pois os nossos homólogos das ex-FAPLA (MPLA) com as mesmas categorias, a maioria deles já beneficiam das suas pensões", lê-se na carta enviada ao Chefe de Estado.

Estes oficiais explicam que o processo de atribuição de pensões está paralisado desde Junho de 2006, estando nessa altura apenas definidas as verbas destinadas aos generais e tenentes-coronéis.

Os restantes oficiais continuam sem receber o dinheiro a que têm direito, dizem, por isso convocaram uma "manifestação pacífica" para o dia 22, em Luanda.

Contactado pela Lusa, Isaías Chitombi, representante da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no comité executivo da Comissão Nacional de Reintegração Social dos Desmobilizados e Deslocados (CNRSDD), disse que a direcção do partido não foi informada da manifestação.

"A direcção do partido não tem conhecimento da intenção de se realizar essa manifestação pelos ex-militares da UNITA, que apesar das dificuldades vividas não deviam fazer isso, porque nada vai resolver", disse o representante do principal partido da oposição angolana.

Isaías Chitombi, que é também o secretário para Reintegração Social dos ex-militares do Galo Negro, acrescentou que as preocupações dos antigos militares deveriam ter sido encaminhadas para a direcção do partido, que está em contacto "permanente" com o governo e que "através do mecanismo bilateral discutem as soluções".

"Não é com manifestações que se resolvem os problemas, embora compreendamos que os ex-militares da UNITA estão numa situação de desespero, com os filhos a estudarem e o governo não se pronuncia há bastante tempo sobre atribuição dos seus subsídios", frisou o general Chitombi.

O Memorando de Entendimento sobre a paz em Angola, assinado em Abril de 2002 pelas chefias militares do governo e da UNITA, estabelecia, entre outros aspectos, a desmobilização de cerca de 55 mil efectivos militares da UNITA e a sua integração na sociedade angolana.

HSO/AR.

Lusa/Fim

lusa