Acidentes causados por lombas
com queixa-crime em tribunal
Em pouco mais de 15 dias, a GNR da Mealhada já recebeu cerca de uma dezena de participações relativas a acidentes ou danos alegadamente provocados pelas passadeiras elevadas colocadas pela Câmara Municipal da Mealhada à entrada de zonas urbanas, nomeadamente na estrada de Grada e S. Romão. Uma delas resultou em queixa-crime por danos e já seguiu para tribunal.
Segundo o comando do destacamento da GNR de Anadia, de que faz parte a Mealhada, há inúmeros despistes nestes dois locais, para os quais a GNR recebe chamadas de ocorrência praticamente diárias, mas apenas um acidentado deu seguimento à participação com uma queixa contra a autarquia que já seguiu para tribunal. No entanto, o "Jornal de Notícias" apurou que outros poderão seguir este exemplo, nomeadamente Pedro Pinho e Sandra Cadima.
Pedro Pinho não se conforma com os 1500 euros de conserto do automóvel que teve de pagar. Num fim de tarde em que fazia, como habitualmente, o trajecto Anadia-Mealhada, deparou-se com uma lomba à entrada do município, que lhe "rebentou o cárter do óleo, os triângulos de direcção, carga do motor, cinoblocos". "Quando dei pela lomba, travei e o carro, que é muito baixo, baixou ainda mais e estragou tudo", conta. Segundo o relatório de ocorrência da GNR, a "altura da lomba é superior à distância da parte de baixo da frente do veículo" e "o local não se encontrava provido de placa limitadora de velocidade". Haviam sim "resíduos de óleo derramado no pavimento" e "a lomba em si não era provida de quaisquer marcas rodoviárias".
Com o carro imobilizado ficou também Sandra Cadima, ao início da tarde de anteontem, apesar de garantir conduzir a velocidade reduzida,conforme indica o sinal, entretanto colocado, de probição de circulação a mais de 30 quilómetros por hora."Vi o sinal de lomba e ia devagar, mas, quando me aproximei e vi a altura, assustei-me e travei. O carro baixou, bateu e começou logo a verter óleo", explica, acrescentando que, no tempo em que esteve à espera do reboque, mais duas viaturas bateram na passadeira elevada. Sandra Cadima vai fazer uma participação à autarquia no sentido desta se responsabilizar pelos prejuízos, mas, caso tal não aconteça, leva mesmo o caso a tribunal.
"Excesso de velocidade"
A Câmara Municipal da Mealhada não vai assumir a responsabilidade relativamente a qualquer automobilista que tenha danificado a viatura nas lombas colocadas, porque, segundo António Jorge Franco, vereador das Obras Municipais, "se as pessoas respeitassem a velocidade, não estragavam os carros. O problema é que circulam em excesso de velocidade", afirma, garantindo que, se o sinal de limitação de velocidade, a 50 km/hora, não estava nestes dois locais - Estrada de Grada e S. Romão - foi porque "as pessoas o arrancaram". De acordo com as normas da Direccção-Geral de Viação, não é admissível a instalação de uma lomba redutora de velocidade cuja altura do ponto de maior cota em relação ao pavimento seja superior a 75 milímetros e, em casos justificados, 100 milímetros. Pedro Pinho, um dos acidentados, mediu 130 milímetros, mas o vereador garante que as "passadeiras elevadas" respeitam as normas legais. No entanto, admite o reforço da sinalização, que poderá passar pela colocação de reflectores, nas duas lombas mais problemáticas.